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domingo, 13 de janeiro de 2013

Cartas para ninguém


Vai minha tristeza / E diz a ela que sem ela não pode ser / Diz-lhe numa prece / Que ela regresse / Porque eu não posso mais sofrer”. 

 (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)



Antes de começar, quero deixar claro algumas coisas. Primeiramente, a confusão de linhas – torpes pela saudade e pela embriaguez do ser – afirmo categoricamente, é culpa tua, culpa das estrelas, não sei. Minha mente está confusa demais. 

Em segundo lugar, nunca fui bom com esses negócios de escrever. Além do mais, uma enorme parte de mim, diz que me embriagou. Drogou-me com todo esse desejo. Terceiro: De uma forma ou de outra, preciso organizar melhor isso daqui. 

Vamos lá. 

Escrevo-te, sem finalidade terrena alguma. Talvez apenas pra sossegar um peito ardente, um coração em chamas. Talvez seja apenas pra plantar um sorriso bobo no rosto. Para, talvez, me sentir melhor.

Talvez... 

Essa palavra não existiu em nossas bocas, não é mesmo? Ao menos não enquanto minha estava junto a tua... Talvez, tantos talvez! Que palavrinha gozada, capaz de plantar borboletas no estômago e tantas outras sensações esquisitas, não é mesmo? O desconhecido me assusta, confesso. Quem não tem medo do que não conhece, certamente, mente. 

Porque o mundo é assim. O mundo tem tantas coisas! Coisas que a gente já vê e sabe. Coisas que a gente vê e tenta compreender. Coisas que a gente pode cansar de ver, mas não vai entender nunca. Você deve ser uma delas. E talvez, seja isso que tanto me convida a te conhecer melhor, te ter. 

Daí penso coisas bobas quando sentado na janela do ônibus. Encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, e penso demais em você.  Mas você vai ficando por aí, eu vou ficando por aqui. O destino sempre evitando. Desviando. E eu sempre pensando se por acaso, a gente se cruzasse novamente... 

E nisso tudo, quantos pesares, tantos azares...!

Não, perdoe-me! Azar é de quem não chorou ao som de uma canção de amor. Que não riu dos pássaros voando por aí. Que não se inebriou com o aroma e com as cores das flores. Que não riu a cada suspirar. Azar de quem não viveu e sim sobreviveu à vida. 

Azar de quem amou pouco e com esse pouco nada soube da vida. Azar de quem não te conheceu. Azar meu, que te conheço, mas não te tenho aqui. 

E nisso, vou ficando, novamente, por aqui, sem teus abraços. Quem sabe a gente se esbarre por aí. Quem sabe me faz uma canção. Ou me dê um sorriso pra que eu possa te dizer o quanto esperei por ele. Dizer o quanto te amei e ainda amo.

Do sempre, sempre teu.


Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Genilda Silva disse...

Muito poético^^

Mari amaral disse...

Você é o melhor, sem mas!