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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Como Lupin e Tonks

Como Lupin e Tonks



Sentimentos são
Fáceis de mudar
Mesmo entre quem
Não vê que alguém
Pode ser seu par


Uma comédia sem graça, uma realidade que se esqueceu de acontecer ou um romance sem final feliz? Nunca sei como descrever esta história. E também não sei exatamente onde ela começou. História sem inicio, apenas com fim. História de dias de guerra, de dias chuvosos. E é num destes que vou começar.
Um dia chuvoso, dentro de um quarto muito mais feio que qualquer dia chuvoso. Musgo e mofo por todas as paredes, e nenhuma cama ou guarda roupa identificava o cômodo como sendo um quarto. Na verdade, a mobília do quarto constituía em dois banquinhos de madeira, extremamente toscos, conjurados por um bruxo.
Ah, claro, o bruxo! É de bom tom apresentar os personagens da história. Na verdade, são dois bruxos. Uma de cabelos alternando entre roxo e cinza e o outro completamente grisalho. Você já deve saber que falo do Lobisomen e a metamorfomaga, e já deve conhecer como eles são, mas acho de bom tom falar de como estão.

Em outros tempos, ela sentiria dó dele. Mas seus sentimentos foram mudando ao conhecê-lo melhor. Outrora, o via apenas como amigo, agora, o via como seu par. E nutria apenas carinho. Uma vontade de poder cuidar dele, de fazê-lo se sentir amado. E pena de si mesma por não poder.

Basta um olhar
Que o outro não espera
Para assustar e até perturbar
Mesmo a Bela e a Fera

O Ambiente é convidativo ao silencio, e o lobo o aceita de boa vontade. Quanto menos ruídos, melhor. Mas a moça, vez ou outra, quando seu cabelo fica rosa, o tenta romper:

- Eu já lhe disse que não precisa ficar aqui, não disse?  O Snape é totalmente confiável, não adulteraria a poção.

- E eu lhe disse que não desconfio do Snape, mas sim do Sirius. Ele adulteraria a poção para prejudicar o Snape.

- Eu não acho que ele faria isso...

- Eu estudei sete anos com o Sirius. Sei o que ele faria, e o que ele não faria.

E então os cabelos voltam ao cinza. A conversa, na verdade, é só uma cópia, da cópia, da cópia, da primeira conversa.  Na qual eles se olharam o tempo todo. Agora, só se olham por segundos. E logo não se olharão mais. E isso será mais assustador e, até mesmo, perturbador que qualquer olhar.

Sentimento assim
Sempre é uma surpresa
Quando ele vem
Nada o detém
É uma chama acesa

Eu já citei que sentimentos mudam? Não sei se sim, mas mudam, surpreendem. E com eles mudam belas ferozes e feras belas. Não muda o quarto, este continuará mais feio que qualquer dia chuvoso, mas mudam os bancos, como mudam seu conjurador, não mais tão roto e tosco.
 A conversa já não é mais uma cópia. E não é começada pelos cabelos dela, nem mesmo por ela. Ele rejeita o convite do silencio:

- Acho que adulteraram minha poção.

- Nem o Snape e nem o Sirius fariam isso...

- Espero que eles tenham feito. Seria a única explicação para isso.

As bocas se aproximam e os dois estão cada vez mais próximos de fazerem o que querem desde algum ponto nebuloso no passado de ambos. Estão prestes a saber tudo que precisam saber um do outro. E então, acontece...

Sentimentos vêm
Para nos trazer
Novas sensações
Doces emoções
E um novo prazer

             ... O tão esperado beijo. Mais que a união das línguas, união de duas almas. Destinadas a estarem juntas, seja em vida ou em morte e que só não sentiam isso.
            Os cabelos da bruxa mudam de cor instantaneamente, e ininterruptamente. Cores, por ela, nunca testadas. Cores trazidas por aquele beijo. Os dias se passam e não vão ao quarto apenas nos tempos de lua, e nem mais por medo da adulteração da poção.
Não existem mais os bancos. Agora a mobília da, de fato é de um quarto. E a cada noite, mais doces são um para com o outro. Mais fortes se tornam as emoções. Até, enfim, sentirem a necessidade de ser unir. De ser um só. De se redescobrirem, em um novo prazer.

E numa estação
Como a primavera
Sentimentos são
Como uma canção
Para a Bela e a Fera

O fim da guerra trás, enfim, a primavera. Mas não como estação. As flores não brotam do chão, mas são colocadas por sobre ele. Nos cemitérios bruxos florescem homens e mulheres de grande coragem e, em um deles, um lobisomen e uma metamorfomaga.
No velório, eles foram vistos, ela não tinha cabelos grisalhos, e nem ele estava tosco ou roto. A primavera não é tão forte em nenhum outro lugar. O chão é forrado de flores e pessoas. Durante o enterro, toca uma música, mas ninguém ouve. Eles apenas sentem. Como a Bela e a Fera.

Comentários
2 Comentários

2 comentários:

cath´s m. disse...

Ficou muito legal Vit! ♥
Isso é algo vindo de mim sobre o Remus, já que não sou muito fã dele.

thay disse...

Vitor adorei, amei mesmo este texto(conto), muito emocionante! Ficou muito bom mesmo, parabéns