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domingo, 21 de julho de 2013

É eternamente responsável por tudo aquilo que (não) cativa

É eternamente responsável por tudo aquilo que (não) cativa


         “13 porquês” é um livro voltado ao publico jovem, que trata de suicídio.  A narração do romance é em primeira pessoa e dupla. O primeiro narrador é Clay, o garoto que voltando da escola encontra o pacote de fitas da segunda narradora, Hannah, a suicida. Nas fitas existem os treze motivos dela ter se suicidado, e Clay é um deles. A partir daí a história se desenrola de forma alucinada.

          Soube da existência desse livro por minha filha, Lívia, e o autor ganhou meu respeito no mesmo momento. Qualquer um que se habilite a tratar de um tema tão denso e pouco explorado num livro voltado para jovens merece, no mínimo, atenção. Decidi ler o livro, num pdf traduzido por fãs e nenhum dos erros ortográficos foi suficiente para eu interromper minha leitura. Não recordo ao certo quantos dias levei, mas sei que foram maravilhosos.

         Claro que se você procura um livro sobre um vampiro que se apaixona por uma mortal, não encontrara aqui sua leitura predileta, o livro não é doce, e muito menos engraçado e nem tenta ser. O livro é sobre um inocente que sabe que será condenado, e tenta desesperadamente descobrir o porquê.

          “Afinal, uma garota morta não mentiria. Espera aí! Isso está parecendo uma piada. Por que uma garota morta não mentiria? Resposta: porque ela não pode mais falar! Vai, pode rir. Tudo bem. Eu achei engraçado – Hannah Baker”

           Agora é engraçado, contextualizado não. Em tempos de best-sellers que se tornam praticamente leituras obrigatórias, 13 porquês é uma fuga relativa e agradável, mesmo não sendo leve. Vale ressaltar eu faço questão de comprar os livros que gosto, e com este não foi diferente. Além da bela capa, o livro trás uma excelente entrevista com o autor, onde ele explica que Hannah não foi de toda inventada, quanta pesquisa e tempo de gaveta envolveu a criação deste livro, servindo além disso para entender melhor, ainda que não completamente, a mente de um suicida.

          Mais que uma recomendação, nesta resenha eu desafio todos a encontrarem um motivo para retirar meia estrela sequer deste livro que consegue ser épico, mesmo sem tentar. Se de fato vai virar filme eu não sei, mas que estarei na primeira fila da pré se for verdade, disso eu sei.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

RESENHA: Espíritos de Gelo - Você está sendo submetido a um tratamento radical para uma situação urgente

*contém spoiler

Um homem acorrentado em uma banheira. Sem rim. É assim que se inicia a estória do livro Espíritos de Gelo, onde Raphael Draccon – que além de ser visivelmente um ótimo escritor é brasileiro e dotado de um adorável sotaque carioca – traz em seu primeiro livro fora da série Dragões de Éter o drama da realidade de um cara que seria comum se não fosse o fato de que perdeu o rim e está sendo torturado por isso.

Vamos com calma. Ele perde o rim e de quebra ainda consegue um ingresso para um show de tortura onde ele é o personagem principal? Sim, caros amigos. O fato é que ele não sabe como foi perder o rim e precisa lembrar não só disso, mas de tudo o que aconteceu até ele chegar onde está. Para isso, três homens mal-encarados e com pinta de roqueiros (um deles, inclusive, usa a camisa do Black Sabbath) passam a espanca-lo até que algo surja quase que magicamente em sua memória. Dessa forma, você leitor, acompanha as tragédias na vida do torturado em capítulos curtos, que se alternam entre as lembranças do homem e suas conversas com seus torturadores, a partir de sua tentativa de suicídio tão frustrada quanto sua vida.

Em 176 páginas, não, em no máximo 10 páginas Raphael Draccon consegue se mostrar um talento que ultrapassa gêneros e te hipnotiza seja qual for a trama do livro. Sua excelente narrativa, ainda que em diferentes parâmetros, traz as suas belas metáforas em quase todos os parágrafos, descrevendo tudo e tornando belos  todos os sentimentos do infeliz protagonista.

Romance? Quase nada. Sexo? Nunca é demais. Pra quem está acostumado a Dragões de Éter, ou mesmo o recém-lançado Fios de Prata (que resenharei em breve, em parceria com Érica), vai descobrir que esse poderia muito bem ser um livro de pornô. Foda é uma palavra usada normalmente, como se fizesse parte do vocabulário da norma culta da língua portuguesa. Espíritos de Gelo trás torturas e cenas de sexo de uma forma que faz você achar que ou Draccon praticou em algum lugar, ou ele tem assistido televisão demais – e eu sinceramente espero que ele tenha visto as torturas na TV ou em um livro qualquer. Quanto ao resto... Bem, ele é casado e não devemos falar disso.

Além de tudo, traz referências à cultura pop; Kiss, Beatles, Neil Gaiman, Ren & Stimpy. Até Matrix. Embora talvez ele tenha pecado no excesso dessas menções, de alguma forma o livro torna-se ainda melhor ao trazer até mesmo diálogos sobre o significado demoníaco ou não nas capas de álbuns de bandas de rock e teorias de conspiração. Sim, teorias de conspiração. Sabendo disso, torna-se claro que este é o tipo de livro que deve ser terminado em no máximo uma hora. Dinâmico e caceteiro, como dizem. Ou você lê, ou larga de uma vez. Simples assim.

Se você for um bom leitor, vai perceber que o personagem principal não tem nome. Ele é... um ser. Só isso. E, se quer saber, ele ter nome ou não, não faz a mínima diferença. Na verdade, se ele se chamasse Mike provavelmente acabaria com a magia (sim, magia) do livro. É uma inovação que caiu perfeitamente bem à trama.

Outro ponto negativo que acho importante trazer é o fato de que o livro de forma alguma é um conto de terror e horror. Pelo menos, não foi o que achei. Na verdade, dei umas boas risadas com ele – mas sempre dizem que sou puxada ao sadiquíssimo. Se você não riu ou rir ao ler, avise-me. Grata.

Em contrapartida, se o objetivo do livro era ser inspirado em lendas urbanas, então pode ser considerado um sucesso. É baseado na lenda do sujeito que toma um “boa-noite, cinderela” de uma mulher, e tal como acontece com o personagem, acorda sem o rim em uma banheira de gelo, e traz ainda alusões à outras lendas urbanas – vide ao fato de que a própria história do rock já gira em torno de diversas delas.

E como o livro tem poucos pontos negativos, eu não posso economizar quando recordo de mais um: as descrições do guru-do-sexo. Podem ser maçantes, mas nada grave. Ajudam na compreensão do texto, portanto sou apenas eu sendo chata mesmo. E lembre-se, você está sendo submetido a um tratamento radical para uma situação urgente. Compre o livro, leia e corra atrás de um autógrafo. Eu? Tenho sete, obrigada!

Avaliação:

- 1 pelo excesso de referências à cultura pop;
+ 3 pelas cenas de sexo e de tortura muito bem descritas;
- 3 porque o livro não é de horror (embora eu agradeça um tanto por isso);
+ 3 pela originalidade ao não nomear o protagonista;
- 1 pelas descrições quase chatas do guru-do-sexo aos seus iniciados;
+ 5 pelo talento do autor (e por seu inegavelmente lindo sotaque);
+3 por lembrar Neil Gaiman e citar Beatles;

Nota: 9/10.

Considerações Finais:
O livro foi lançado primeiramente em Portugal, e em seguida no Brasil. Publicado pela editora Leya, em 2011. Compre aqui: Espíritos de Gelo – Submarino

Sobre o Autor:
Lisandra S. Bernardo Lisandra S. Bernardo tem 15 anos e gosta de chocolate, cinema e romance. Também curte abraços, fantasias e sorrisos, só não curte não ser feliz.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Resenha: O Nome do Vento



Livro indispensável para os fãs de fantasia, O Nome do Vento agrega tudo que uma boa história fantástica pede: um jovem órfão extremamente inteligente, um professor excêntrico, uma bela mulher, vilões sinistros e, é claro, muita magia. Mas não pense que essa é uma história-clichê, muito pelo contrário, ela é empolgante e criativa do início ao fim.

A história se passa em torno do multifacetado protagonista, Kvothe ou “Kote”, que é o personagem mais enigmático já criado nos mundos fantásticos. Você se apaixona por ele simplesmente pela vontade de descobrir quem ele é, o que sente, o que fez e o que fará.
“O Arcano”, “O Matador de Rei”, “Dedo Leve”, “Sete Cordas”, “Sem Sangue”, esse é Kvothe, o herói (ou vilão?) controverso do romance, grande músico, poeta, sedutor e guerreiro. Não há maneiras para descrevê-lo, é necessário ler para tentar entendê-lo, e se conseguirem, me avisem.
"Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas. Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar. Vocês devem ter ouvido falar de mim." 
Patrick Rothfuss criou um mundo que poderia ser a Europa no início da Era Moderna, ou então a Pérsia em tempos remotos, pois apesar de ser uma terra fictícia, nos sentimos tão familiarizados com o ambiente ao ponto de quase acreditar que um dia já existiu.

Outra característica marcante do romance é a forma narrativa. O livro é narrado em dois planos diferentes, alternando entre o “tempo presente” da história e as memórias do protagonista. Ou seja, a história oscila entre o que está acontecendo no momento em que é narrada e os fatos que já aconteceram, que, no fim, irão se encontrar. Os momentos de devaneios de Kote, narrando sua vida para o Cronista, são a essência do livro, pois contam as origens do personagem e fatos de sua vida.
Algo que certamente vai fascinar muitos fãs de Harry Potter é a chamada “Universidade”. O lugar aonde Kvote vai para aprender a ser um Arcano. Sim, Arcano é uma espécie de mago, mas a magia de O Nome do Vento, chamada de “simpatia”, é algo muito mais técnico, depende de capacidades e treinos específicos, algo aberto a qualquer um que queira aprender. Na minha opinião, a passagem de Kvote pela Universidade é o ponto máximo do livro. Ali ele conhece seus amigos, Willem e Simmon, torna-se famoso pela sua inteligência e destreza com o alaúde, e encontra o prepotente e cruel Ambrose, o típico filhinho de papai mimado que quer bater no carinha pobre (Kvothe) porque ele é melhor  em tudo, além de ser mais comedor.  

Dois desejos impulsionam a vida de Kvothe. Quando criança, viu seu primeiro mentor, Ben, chamar o nome do vento. Desde então, sonha em aprender aquilo. Afinal, quem não gostaria de ter o vento nas mãos? O garoto passa de artista de trupe para menino de rua em Tarbean, até finalmente chegar na Universidade e descobrir o nome do vento. Nessa busca, será auxiliado pelo professor louco, Elodin, o Nomeador-Mor da Universidade.
O segundo desejo do personagem, que seria melhor chamado de “fixação” é a busca pelo Chandriano, grupo milenar de assassinos que mataram seus pais quando ele ainda era uma criança. Porém, o grupo é visto como uma lenda e se torna cada vez mais difícil e perigoso encontrá-los.  
A profunda construção tanto dos personagens quanto do mundo em que a história é ambientada, mostra grande capacidade literária do escritor e faz dessa leitura indispensável para todos que gostam de um livro emocionante e profundo.
Lembrando que esse é o primeiro volume de uma provável trilogia, o segundo livro O Temor do Sábio já foi lançado e em breve farei sua resenha.

Agora corram para a Saraiva (ou qualquer outra) e comprem o livro!


Dados técnicos:

Nome do Livro: O Nome do Vento
Autor: Patrik Rothfuss
Série: As Crônicas do Matador do Rei: Primeiro Dia
Número de Páginas: 647
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Resenha: Um Dia, David Nicholls



“― Bom, Em, o negócio é...
― ‘Em’? Quem é ‘Em’?
― Todo mundo chama você de Em. Eu ouvi.
― É, os meus amigos me chamam de Em.
― Então, posso te chamar de Em?
― Vai nessa, Dex.”

Nome: Um Dia
Autor: David Nicholls
Avaliação: ★★★★★
Páginas: 416
Editora: Intrínseca

“Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.”

E aqui estou eu escrevendo uma resenha numa madrugada de sexta-feira. O livro da vez é o famoso e muito bem criticado Um Dia, do também roteirista David Nicholls, que se mostrou um romance atemporal muito moderno e sedutor.
Depois de perceber que o livro se encontrava em tantas estantes e que as críticas à cerca dele não poderiam ser melhores, decidi desembolsar uma pequena quantia e comprar o título, e posso dizer que o dinheiro foi bem gasto. Com algumas ressalvas, mas ainda valeu cada centavo. No geral, estou bastante orgulhoso da compra, pois não costumo me interessar tanto por romances “reais” assim. E juro, eu fiquei esperando algum dragão aparecer, ela [Emma] virar uma bruxa, ou ele [Dexter] ter dedos mágicos no lugar dos mamilos, pois me acostumei bastante à fantasia, e isso talvez seja ruim.
A arte da capa por si só já é atraente. Mesmo sendo utilizada uma foto promocional do filme, com a maravilhosa Anne Hathaway e o até então irrelevante Jim Sturgess num beijo sincero, terno e muito envolvente, não deixa de ser chamativo (embora eu prefira a capa original).
Nele, nos vemos dentro da cabeça tão complexa dos dois personagens principais: Dexter Mayhew e Emma Morley, que se conhecem depois da formatura, e passam a partilhar momentos bastante singulares. A partir daí, parece ter acontecido um tipo de ligação mística, inexplicável e abrasadora, que os aproximou de tal forma que é praticamente impossível passar o dia sem pensar um no outro. E em todo dia 15 de julho de cada ano, durante vinte anos, a história deles é contada pelo autor. E não pense que o fato de saltar de ano e ano, pulando várias partes da história dos dois é algo ruim. Na verdade, a criatividade de Nicholls nesse aspecto pode ter sido o grande ponto positivo na leitura.
Emma é uma personagem inteligente, irreverente, um tanto crítica e até sedutora ao seu modo. Dexter por sua vez, é um galã da faculdade, vindo de uma classe alta e bastante confiante de si mesmo, para não dizer metido. Dex e Em, Em e Dex. Um casal que tem muito potencial, e que é capaz de te prender muito durante a leitura. Eles são tão grandiosos, críveis e sinceros em seus sentimentos, que você parece conhecê-los, partilhar de seus sofrimentos, sentir o que sentem e entender o que pensam. É um ponto muito interessante, e difícil de encontrar hoje em dia. Isso somado à narrativa original, moderna, engraçada e que flui bastante bem, já te faz ir correndo comprar um exemplar.
O autor foi inteligente em conseguir mostrar todas as mudanças sentimentais, físicas e na vida pessoal dos personagens durante os anos que se passavam, e poucas lacunas foram encontradas. Eu conseguia visualizar tudo de forma fácil, pois ele foi bastante detalhista em relação a isto.
Um problema grande foi o exagero nas referências musicais, culturais, políticas e históricas que eram comumente encontradas, e que poderiam até mesmo enriquecer o texto, se não fossem usadas com tanta demasia. É preciso estar bastante inteirado de tudo para ter uma noção exata do contexto. Nas ambientações, por exemplo, era complicado, pois ele, algumas vezes, resumia a descrição à somente o nome de uma rua. Outro fator negativo foi a constante mudança de ponto de vista, que em alguns momentos me confundiu.
Achei bastante frustrante, e você deve entender do que eu falo durante a leitura. Todo o livro é bastante cru, embora muito engraçado, triste em muitos momentos, e parece muito a vida real mesmo. Talvez real até demais.
Ele não entra no meu TOP, mas com certeza foi uma boa leitura, bastante leve, com piadas muito bem pensadas, e se você é uma daquelas pessoas de faz lista das “coisas para se fazer antes de morrer”, acrescente “ler Um Dia”, pois vale muito a pena. Creio que farei uma releitura quando tiver com meu 30 ou 40 anos, pois realmente sinto que vai ter uma sensação nostálgica. ^^
Acho que acabei falando demais... ou não. Mas quero que entenda que você provavelmente não irá morrer de amores por Um Dia, mas com certeza ira adorar cada página lida.
Sobre o Autor:
João Victor Ferraz Não que alguém se importe, mas João é um sonhador, no começo de seus 15 anos, que só pensa em fazer Jornalismo e ter livros em todas as estantes do mundo. Isso mesmo, do MUNDO.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Resenha: O Inverno das Fadas


Há um tempo eu estava curiosa para ler um livro de Carolina Munhoz. Por quê? Bem, achei que ela tinha um perfil interessante; parecia criativa, faz parte do Potterish, gostei da forma como se apresentou na bienal e seu último livro, O Inverno das Fadas tem tido uma repercussão muito grande. Ficou apenas atrás de Guerra dos Tronos na lista de mais vendidos da editora leYa no Brasil e, bom, isso não é para qualquer um. Sem falar que não há como não simpatizar com uma pessoa que tem uma Edwirges de pelúcia.

Mas, afinal, a simpatia de uma pessoa com a qual nunca sequer conversei não é o suficiente. Indiquei o livro e uma amiga minha comprou. Li antes dela e ainda por cima estou fazendo uma resenha.

Como um ser humano pode ser tão cruel?

Quando li a sinopse do livro eu já não acreditava muito que fosse realmente gostar, o que é um problema porque, como eu disse, a autora é um amor. O que eu iria dizer? Oi, Carolina, te acho legal como pessoa mas odiei seu livro!

Bom, eu só poderia saber lendo.

O Inverno das Fadas conta a história de Sophia Coldheart, uma fada. Mas não uma fada qualquer! Ela era uma Leanan Sídhe, uma musa. Fadas como ela iam ao mundo dos humanos, tinham relações com brilhantes artistas e os faziam apaixonar-se perdida e irremediavelmente por elas. Então essas fadas sugavam a energia do artista enquanto eles produziam as melhores obras de sua vida. Enquanto os artistas faziam sua arte elas eram recarregadas como celulares. Elas precisavam disso, fazia parte de sua natureza e, sem a energia dos humanos, elas morreriam. Quando toda a energia desses humanos em questão acabava e a fada se sentia satisfeita, ela abandonava seu artista e ele se matava.

Então Sophia conhece William, um jovem escritor amador inglês, mas algo foge dos seus planos: ela também se apaixona por ele. O que ele tinha de especial? Era bom de cama. Juntos, eles vivem uma intensa e melosa história de amor proibido, sobre a qual iremos falar agora.

Primeiro, as coisas boas do livro.

A forma como a autora transmite o sentimento do artista, o sonho de ser escritor, é muito boa. Provavelmente por ter o mesmo sonho e a mesma paixão que seu personagem, Carolina Munhoz sabe expressar o que um jovem escritor quer de sua arte, de sua vida. A autora compreende o que o personagem sente em relação a isso e nesse ponto ela acertou um dardo certeiro.

Outro fator que conta a favor dela, quebrando alguns estereótipos, é a naturalidade com que a homossexualidade é retratada, pois Sophia tinha relações com artistas homens e mulheres e se lembrava de ambos sem distinção.


Os artistas da obra são reconhecíveis. Pude perceber a presença de Kurt Cobain na obra, e também Amy Winehouse. Não vou citar todos os que foram colocados para não tirar esse direito de quem for, eventualmente, lê-la. A questão é que foi inteligente a forma como eles foram colocados e, embora eu tenha sentido falta de artistas como Rodin, é um livro voltado para adolescentes e é o gosto adolescente que predomina nela. Logo, Kurt Cobain faz mais sentido se olharmos por esse ponto. Isso porque Rodin é colocado em um patamar diferente de Cobain – o que me daria espaço para uma análise mais aprofundada, mas talvez agora não seja o momento para isso – e então parece mais inalcançável. Alguns tipos de arte parecem intelectuais demais ao senso comum e as pessoas ainda não perceberam que elas são para todos e não só para alguns.

Outra coisa que chama a atenção é a forma como ela fala com riqueza da cultura do local onde se passa a história. Também temos o fato de cada capítulo começar com o trecho de uma música. Achei diferente. O gosto musical não é muito incomum se você gosta de rock mas não é um colorido do Restart e nem um Headbanger, mas não deixa de ser bom.

Pseudo-nacionalistas se incomodariam com o fato de todas as músicas serem internacionais, mas para mim música é música em qualquer lugar do mundo, assim como fantasia é fantasia em qualquer lugar do mundo e não me incomodo nem um pouco com o fato de o cenário ser a Inglaterra e não o Brasil.

Bem, com isso sabemos que o livro o Inverno das Fadas é um excelente livro, certo?

Errado.

Eu não seria capaz de negar as qualidades de uma obra e até comecei por elas, mas são apenas detalhes ricos em uma história fraca.

Sophia e William compartilham um amor extremamente meloso e cansativo. A autora conta a história de um artista, que a princípio era um bom personagem, mas acaba estragando-o e transformando e uma espécie de Bella Swan com pênis.



Os personagens são extremamente forçados. Sophia é descrita como uma garota bonita, com cabelos loiros e olhos violeta tipo a Daenerys Targaryen, e é inteligente e experiente, mas parece simplesmente uma adolescente boba e burra.

“Durr, hurr, sou gostosa.”
              – Sophia Coldheart, sobre si mesma.

As cenas de romance são cansativas e não tem nada de especial. Nem as cenas de sexo explícito são excitantes.

William passa a rejeitar os amigos que parecem ser personagens criados somente para serem ridicularizados. Forçosamente chatos, sem uma personalidade real ou uma complexidade que os faça ir além de meros obstáculos. É claro que Sophia tem também amigos que morreriam por ela, como o típico amigo apaixonado da friendzone, cujo bem estar parece não ter nenhuma importância para a garota; ou aquela amiga que é extremamente simpática e gosta dela com a vida, mas em todos os momentos é tratada por Sophia com uma rispidez infantil.

Sério, era infantil. Ela brigando falava coisas como “eu cuido do meu próprio nariz” e “não se mete na minha vida” como se fossem um grande discurso de liberdade.

Imagino ela cantando feliz enquanto fugia de casa: lero, lero, lero, você não me pega, tem bicho na cueca...




Mas continuando... Bella Swan procura livros sobre mitologia antiga, pesquisa na internet e descobre que Edward é um vampiro!

Não, história errada, me desculpem, mas é que é muito parecido.

Então William procura livros sobre mitologia antiga, pesquisa na internet e descobre que Sophia não é uma fada comum, é uma Leanan Sídhe, perigosa musa que suga a vitalidade dos artistas; que seu romance era uma sentença de morte.

A partir daí ele não faz nada que a Bella bonitinha não faria. Ele, que é um garoto sem sal, que mora em uma cidade pequena, que não se encaixa e odeia seus amigos. Ele, que só quer viver ao lado do ser imortal que o ama descontroladamente. Ele, que preferia morrer a não passar a eternidade do seu lado. Ele, que se apaixonou não por um vampiro que brilha no sol, mas por uma fada que brilha no escuro (sério, ela brilha), o que é muito mais original e bonitinho quando se trata de uma fada.

Edward... digo, Sophia, passa todo o livro prejudicando a vida do rapaz e fazendo-o definhar porque o amava demais para deixá-lo ser feliz em uma longa vida cheia de sucessos; fazendo um escritor talentoso e extremamente inteligente se transformar em uma verdadeira anta porque não viveria sem ele. Não por ser má, mas por ser burra.

E nem mencionei a mania irritante da autora de a cada parágrafo explicar que Sophia era uma Leanan Sídhe e o que as Leanan Sídhes faziam. Dá vontade de jogar o livro pra um lado e deixá-lo para sempre porque, caramba, eu já entendi que ela é uma fada, pelo amor de Deus siga adiante!

Não, histórias que giram em torno de um romance não me atraem, mas eu posso apreciar uma se for boa. O Morro dos Ventos Uivantes, por exemplo, que não fala de outra coisa a não ser de um amor avassalador de duas gerações, é um dos livros que mais gosto. E até romances adolescentes podem ser bons, como mostra Jogos Vorazes e alguns textos não publicados que já li.

Não é o fato de ser um romance que fez o livro me desagradar. É o fato de ser um romance extremamente chato e meloso, uma história que nunca sai do lugar.

Fiquei especulando quantas estrelas eu daria para o livro. Pela qualidade da obra eu daria, imparcialmente, duas estrelas. Mas é claro que há outros fatores:

+1 pela autora ser uma pessoa legal;
+2 por ela citar respeitosamente Harry Potter;
-5 por ela ter utilizado incorretamente o termo “maquiavélico” (Página 88. Reflitam.);
+1 pela semelhança com Crepúsculo que me rendeu uma ou duas piadas ruins;
+1 por ter o nome de Tolkien citado (a breve menção dele abrilhanta qualquer obra);
+1 por os nomes dos capítulos serem trechos de músicas;
-1 por, na maioria das vezes, a música não ter muito a ver com o que se tratava o capítulo.
+1 por ter umas partes muito ótimas mais pro final.

Se não fosse pelo involuntário desrespeito a Maquiavel o livro teria 5 estrelas a mais.


Três estrelas para o livro!     






Sobre a Autora:
Érica Prado Érica Prado tem 17 anos, gosta de coisas fáceis tipo miojo, física, literatura e mudar o mundo.

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domingo, 14 de outubro de 2012

Resenha: Jogos Vorazes, parte 2



Hoje é dia, segundo a minha agenda que nunca sigo, de estudar para biologia. Então é claro que resolvi continuar a resenha sobre Jogos Vorazes que, como eu disse, é o super-ultra-mega-best-seller de Suzanne Collins.


Muita gente deve achar os jogos algo utópico e exagerado. Alguém, e não me lembro quem foi, me disse: Que tipo de população aclamaria jogos onde pessoas tem que lutar até a morte? Ninguém vê uma coisa dessas.

Será que não?


Por que não vamos a Roma, então? Eles também tinham uma arena, o coliseu, e também tinham tributos, os gladiadores. E eles tinham que lutar até a morte, com direito até a animais entrando em cena por vezes pra apimentar as coisas. E dependia da aprovação do público deixar o gladiador vivo. O Imperador, claramente, atendia esse capricho da população, deixando vivo seu favorito ou mandando matar aqueles que queriam ver mortos. Tudo era entretenimento para manter as pessoas ocupadas e impedir que pensem além de reality shows, impedir que pensem em romper com o governo, impedir que pensem em... bom, impedir que pensem, de fato.



E qualquer semelhança com Jogos Vorazes não é mera coincidência.


A arena de Jogos Vorazes é muito mais futurista que o coliseu, é claro, mas ambos são reality shows, não são? Nos Jogos, os tributos são monitorados por câmeras e então todo o país pode assistir por TV eles sendo mortos das maneiras mais sádicas possíveis.



Como em Roma, eles devem lutar uns contra os outros. Como em Roma, nada é facilitado para ninguém e o governo faz de tudo para as mortes serem bem criativas e interessantes. Como em Roma, tudo depende da aprovação popular e tudo acontece da maneira que a população desejar. E, como em Roma, aquilo era tudo entretenimento como demonstração de poder.


Mas por que, afinal, Roma? Por que não nossa sociedade atual?


Porque nossa sociedade atual é, como Panem, uma versão mais moderna de Roma.


Então você pode pensar: mas nós não assistiríamos pessoas matando umas as outras só para nos divertir.


Não mesmo? Então vamos deixar o coliseu de lado e entrar na realidade atual. Entre o passado e o futuro, temos o Big Brother.

Procurei no Google e achei um monte de logo do BBB. Não sei qual é o atual, então peguei o mais bonitinho rsrs.


Sei que não é esse programa o único que define a dominação do estado através da mídia, mas é o que está mais próximo de nós.


E sim, no BBB as pessoas matam umas as outras. Não fisicamente, mas psicologicamente. Quando uma pessoa elimina a outra, ou faz com que o público elimine, ela está fazendo com que a pessoa seja esquecida, ou seja, que ela morra para o país. Nunca mais as manias estranhas, nunca mais o corte de cabelo bonito. Tudo se foi.


No final, um vence. Graças ao publico, graças a sua habilidade na arena, não de bater, mas de ser carismático, de dizer e fazer as coisas certas. Todos os envolvidos (brothers, publico, produção) constituem um sistema, e o sistema alimenta a si mesmo. Tudo ali é construído: as pessoas, as ocasiões, as relações entre as pessoas. Choros, lamentações, apelações, comoções, armações, muita coisa em jogo, nenhuma delas natural.


Então alguém vai dizer: moranguinho do nordeste, eu não quero ver pessoas sofrendo fisicamente, isso é cruel!


E quanto a No Limite? E quanto a Hiper Tensão? Só cito esses porque são os únicos que conheço que exploram o limite humano do medo e da sobrevivência, mas com certeza há mais desses.


Então, sim, estou realmente dizendo que se você assiste a reality shows está provavelmente sendo distraído e alienado pelo estado e pela mídia.


Qual é a lição que podemos tirar disso, crianças?


Commodus quer te ver morto
Roma, Panem e vida real são a mesma coisa: puro pão e circo. Você se diverte com pessoas porque elas são produtos e a televisão é uma grande vitrine. E quem participa disso não faz ideia do que está acontecendo. Bom, talvez os tributos e com certeza os idealizadores, mas o publico – em especial o da Capital (ou Capitol, vulgo Caralho a Quatro) – só quer mesmo é ser feliz.



Isso me lembra os pinguins de Madagascar. 

Sorriam e acenem, rapazes, apenas sorriam e acenem...


E eu já tenho duas páginas e meia de Word e ainda não falei do Haymitch!


Haymitch é o cara mais foda do livro. Ponto. Não dá pra falar muito sobre ele agora porque ainda estamos na arena... Como diriam os adoradores de hashtag que colocam até na redação do ENEM: #chatiada.



Então Katniss chega no mato e segue algumas instruções de meu amado Haymitch, como por exemplo “fiquem vivos”, que é de fato a coisa mais útil e sensata que pode ser dita. Ela e Peeta se separam e a gente só vai vê-lo novamente quando ele se junta a um grupo que se formou na arena. As alianças eram muito comuns nos Jogos, garantiam hegemonia de força, então no final sobravam eles e basta matar uns aos outros e o que ficar no final samba na cara deles.



Bom, como ela já era acostumada a caçar para alimentar sua família, ela até que sobreviveu relativamente bem. Os Idealizadores dos jogos não facilitavam nada, mas pelo menos ela estava viva.
Não vou entrar em detalhes sobre as mortes, porque são um espetáculo a parte. (Viram? Gosto das mortes. E vocês também. O ser humano se entretém com a morte, é fato.)



Uma coisa linda que acontece: Katniss conhece uma garotinha que a lembra muito sua irmã mais nova. Rue pertence ao distrito 11, onde o ritmo é chapa quente. Lá é ditadura mesmo, e da brava. No 12 a coisa é feia, mas não como no 11. Lá, as execuções são mais frequentes, é mais fácil ser punido, a opressão é maior e o controle é muito mais forte. Pacificadores por todos os lados explodindo a cabeça dos que não trabalhassem, coisas do tipo.



Como eu disse, a garotinha lembrava muito a irmã dela, exceto pelo fato de Rue subir em árvores como um macaco e sobreviver melhor do que o diabo na missa, enquanto Prim certamente só choraria e tentaria sair curando todo mundo por aí fazendo todos dizerem “own”.


Sim, desenvolvi uma revolta por Primrose Everdeen. Não me perguntem mais.


Já que ressaltei a superioridade de Rue sobre Prim, posso continuar.


Bom, como Katniss é uma caçadora e tem familiaridade com a floresta level élfico (embora os elfos não matem animais), elas pensam: vamos acabar com o suprimento de comida deles, então eles morrem de fome e a gente não. Então ela elabora um plano onde ela solta uma menininha na floresta para atrair um bando de máquinas mortíferas que não veem a hora de colocar a carne delas pra assar...


Enfim, enquanto Rue faz o trabalho pesado, o único que fica pra Katniss lutar é um nerd ocludo do distrito 3. E todo mundo sabe que os nerds são os caras que apanham nos filmes para adolescentes!


Bom, o que ela não sabia é que ele tinha armado e enterrado bombas ao redor da comida, formando um campo minado. Por mim, ela morreria naquele momento para mostrar que a inteligência supera a força e que a revolução tecnológica é o que domina o mundo, enquanto a arena se transforma num tecnopolo igual ao Vale do Silício.



Mas a revolução nerd tem que esperar.


Uma garota mais esperta que Katniss estava por perto vigiando e sacou logo o que havia sido feito, então começou a pular amarelinha pra lá e pra cá, pegou a comida e foi-se embora. Katniss demorou uma eternidade para entender que a menina estava evitando as minas e então deu três flechadas certeiras (sim, sim, ela tinha conseguido um arco) no saco de maçãs que estava no topo da pilha de alimentos, que foram pesadas o suficiente para explodir as minas e fazer a comida voar pelos ares.



Ok, ele era o nerd mais burro que poderia ter entrado na arena. Não dava pra fazer com que as pessoas explodissem mais pra longe de modo que a comida ficasse intacta?
Respira.


Tudo bem, depois de ter explodido as minas do nerd mais burro do mundo, Katniss fica surda do ouvido esquerdo. E não se esqueçam que nesse tempo todo Rue ficou sozinha na floresta atraindo os caras maus para si esperando o raciocínio lento de Katniss se organizar e ela sair dali. Ela demora horas para perceber que Rue não estava voltando e então vai atrás dela.


E eu esqueci de falar dos tordos! Como pode? Os tordos são pássaros que o Capitol nunca tencionou que existissem.



Vou explicar: eles criaram pássaros geneticamente modificados chamados gaios tagarelas na época dos Dias Escuros, quando os distritos se rebelaram. Os pássaros eram capazes de reproduzir o que as pessoas falavam, então eles soltavam nos distritos e quando os pássaros voltavam, funcionavam como escuta. Mas acabou que eles ficaram ultrapassados e foram jogados na natureza, cruzando com tordos e formando outra espécie de tordos. Eles não reproduziam conversas fielmente, mas faziam igual aos passarinhos das versões da Disney de contos de fadas: imitavam as notas musicais.


Sim, os tordos são mais plausíveis que os gaios tagarelas, porque algo chamado bico os impediria de reproduzir com perfeição as falas. Enfim, quem liga pra biologia?


Bom, Rue ensinou uma canção de quatro notas para ser uma mensagem subliminar entre elas. Para avisar que estavam bem, era só uma cantar essa canção e então os tordos repetiriam por toda a floresta, fazendo com que a outra não se preocupe. Katniss cantou a canção da Branca de Neve. Rue não.


Já dá pra perceber, não é? Katniss não consegue salvar Rue e outro tributo a mata, para evitar uma cena em que Katniss tenha que matá-la e a imagem da personagem seja manchada.



Nada disso teria acontecido se a autora tivesse se rendido à revolução nerd.



Bom, a vida continua. Katniss faz uma coisa muito rebelde: coloca flores ao redor do corpo de Rue e canta uma canção de ninar para ela “dormir”. É lindo, e é sim, isso é rebeldia. Transforma Rue em um mártir, o símbolo da inocência e da amizade que são maculadas pela Capital do Mal.




Bom, como eu disse, a vida continua, né? O narrador dos jogo (acho que é isso) anuncia pros tributos na arena que as regras mudaram e que duas pessoas podem vencer os Jogos, contanto que sejam do mesmo distrito.

– Peeta! – Katniss grita, e sai atrás do seu suposto grande amor. O encontra numa situação muito... muito...

Ah, como eu vou explicar aquela merda? Bom, ele estava assim:

Sim, essa porra é o Peeta.


Muito talento se pintar desse jeito, mas o tempo que ele levou pra fazer isso dava pra ele... bom, não dava pra fazer nada mesmo, porque ele estava com uma ferida imensa e mortal na perna e não sabia caçar, subir em árvores ou sobreviver de qualquer maneira. É, era a única coisa que um decorador de bolos poderia fazer.


Mas fica a questão no ar: onde ele achou a porra da tinta?


Bom, Katniss volta a ser inteligente, mas como tudo é relativo, suponho que ela seja burra em relação a Rue e inteligente em relação a Peeta. Mas não me julguem, acho Peeta um máximo, mas não pra sobreviver.


Então eles vão para uma caverna ficar brincando de médico. Peeta faz diversas declarações de amor para Katniss, mas ela não sabe se ele só está encenando para as câmeras ou se era de verdade. E é claro que ainda tinha Gale esperando em casa, e Gale era o tipo certo de garoto errado. Então ela deixa ele na friendzone e vai fingir seu amor por Peeta pra conseguir as graças do público.



Bom, sobre a questão das aparências já falei, entreter o publico etc etc etc.


E agora é hora de falar de Haymitch!!!


Que alegria *-*


Ele tem uma facilidade de comunicação com Katniss: quando ela beija peeta, ele manda alguma ajudinha dos patrocinadores, que cai (literalmente) de paraquedas pra ela, como sopa, remédio... dependendo da intensidade do beijo ou da profundidade da situação. Imagino que se eles tivessem feito... sabe...


Enfim, os tributos vão morrendo e Katniss consegue remédio pra perna de Peeta. Não é o suficiente pra curar uma macumba daquelas, mas ameniza e evita infecções. Chega a um ponto em que só sobram eles e mais um carinha do Distrito 1, Cato, que é profissional e só está lá pra matar. No filme ele dá uma amarelada, começa a chorar dizendo “vamos todos morrer, mimimi, mamãe te amo”, mas no livro ele é mais macho e está de fato empolgado por ter chegado no grande final.


Ok, todo mundo sabe que eles conseguem eliminar Cato e essa é a pior morte do livro, mas não vou descrevê-la porque é uma coisa interessante de se ler. Embora, é claro, eu possivelmente já tenha estragado a maioria das surpresas da história.



Amanhece e eles estão lá, caindo na real, percebendo que vão poder se comunicar com a família sem a ajuda do Chico Xavier, quando vem aquela voz do narrador anunciando que os idealizadores mudaram de ideia e que agora só podia sobreviver um no final mesmo. Ou seja, um teria que matar o outro.



Troll HSAUSHAUHSUAHSUAHSUAHSA


Mas então, numa rara demonstração de raciocínio, Katniss pega umas amoras venenosas que achou no mato e disse:


– Peeta, sabe quando sua mãe dizia “não coloca isso na boca, seu moleque lazarento”? É hora de desobedecer.


E Peeta diz:


– Desculpa, mamãe.


Foi um pacto suicida meio sem sentido, porque Katniss passou o livro inteiro preocupada com quem alimentaria sua família caso ela morresse, e então ela resolve morrer.


Mas é aí que entra a parte inteligente. Eles estão colocando as amoras na boca quando o narrador grita desesperado:


– Parem! Parem! Podem viver, flw?


E começa a tocar Ivete Sangalo e eles são tirados da Arena para serem tratados.


Os estereótipos voltam a aparecer e Katniss tem que se encaixar em todos eles antes de aparecer na TV para dar entrevista, é claro. Não é como na arena, onde você podia aparecer perebento e tudo bem.



O problema é que a Capital estava furiosa com ela por ter desafiado seu poder e eles tem que fingir que são uma espécie de casal de crepúsculo, frívolos e estúpidos. Mas fingir ser estípida Katniss faz bem, e Peeta nem precisa fingir...


Senhor, estou xingando os personagens de novo! Só pra esclarecer, gosto tanto de Peeta que até perdoo o fato de ele ser um príncipe encantado, mas é que essas partes cheias de declarações são um saco.


Bom, como já falei bastante sobre como manter as aparências para salvar a alienação e permanecer vivos, não preciso cansar ninguém falando disso, certo?


Certo.


E bem, no final Katniss não sabe se realmente gostava de Peeta ou se estava fingindo e resolve dar o fora nele porque é uma mulher independente e autossuficiente.


Collins deve ser feminista.


Bom, é isso. Passei tanto tempo escrevendo essa resenha que até estranhei terminá-la.
Fiquem ligados na decadência e ah, já ia me esquecendo: eu realmente amo o Haymitch. 


Sobre a Autora:
Érica Prado Érica Prado tem 16 anos, pretende cursar história, ouve metal e reclamações o tempo todo. Gosta de coisas fáceis tipo miojo e, portanto, não gosta da vida. Não, você não pode simplesmente gostar dos dois.
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Resenha: Jogos Vorazes (Parte 1)





Como todo mundo sabe, a Decadência é um blog sério, com cronograma, agenda, calendário, posts nos dias certos, regras de montão e uma anarquia vigente, haha. 

Pois como não gosto mesmo de ser previsível e as postagens estavam num ritmo só, resolvi fazer uma coluna com resenha de livros. Vocês podem conferir a resenha de Interligados, que é, intertextualizando o Vitor do InsensatoTeclado, o melhor livro ruim que eu já li.

Não,  não teremos toda semana. Embora eu tenha um grande estoque de livros para ler,  de livros sendo lidos e de opiniões sobre livros que já li, não tenho tempo para falar toda semana sobre todos eles. Então, além dos textos literários toda sexta (dos quais tenho um estoque miseravelmente grande, caso não possa produzir um inédito), vamos ter ocasionalmente uma resenha porque realmente gosto de fazer isso. Peço logo desculpas aos meninos, porque não comuniquei a eles essa vontade de última hora.



Pois bem, dessa vez resolvi falar sobre Jogos Vorazes, o super-ultra-mega best-seller de Suzanne Collins. Talvez até fale alguma coisa sobre o filme também, com uma comparação aqui, outra ali, enfim.

Jogos vorazes foi um livro que li em seis horas. A última vez que fiquei seis horas seguidas lendo um livro foi com Harry Potter, que é até hoje a minha saga fantástica preferida, muito embora  O Senhor dos Anéis prime por uma qualidade maior. Mas por que estou falando isso mesmo?

Voltando a Jogos Vorazes, temo que muito dos fãs espalhados por aí tenham uma ideia errada do que é o livro.

Vou explicar: o livro de Suzanne Collins tem uma complexidade muito maior do que o simples romance adolescente com triângulo amoroso que as pessoas estão acostumadas a gostar, e que acaba sendo o foco de muitos fãs que só querem saber com quem Katniss vai ficar no final.




     Contexto cultural, histórico e... que subtítulo chato, caralho.


O livro se passa num cenário pós-apocalíptico, um país chamado Panem, que fica localizado onde eram os Estados Unidos. Ele é dividido em 12 distritos, que produzem matéria prima e produtos para exportar para a longínqua cidade de Capital (ou Capitol, dependendo da tradução), onde eles vão desfrutar desses benefícios dados pelos distritos e em troca mandar tropas para lá, garantindo que não haverá rebelião. Enquanto isso as pessoas vão morrendo de fome e a Capital, ou o Capitol, para os tradutores chatos, praticamente ignora esse fato e só pensa em manter o domínio sobre os territórios mais pobres.

 Pausa. Preciso comentar esse fato.

Collins destrói o cenário atual dos Estados Unidos e constrói outro país por cima. Contudo, se você for analisar, eles ainda estão ali. O luxo desnecessário, o nacionalismo exacerbado, o controle sobre os mais pobres, a riqueza de um local contrastando com a pobreza de outro... está tudo aí. Mas tudo bem, leitoras de Crepúsculo e House of Night, vamos adiantar que mais pra frente tem romance.

Katniss Everdeen, a personagem principal da trama, vive no Distrito 12, que é o mais pobre de todos. Eles fornecem carvão para a Capital (Capitol, Caralho, baaah) e, em suma, comem muito pouco. Ao redor do distrito tem uma floresta, onde as pessoas não podem entrar, mas Katniss e seu amigo Gale vão mesmo assim, pois precisam caçar para alimentar a família pobre.

Romance? Quem sabe. Katniss diz que não tem nada com Gale, mas todo mundo percebe na narração que pode rolar um clima entre eles. Sem falar que Gale é um cara bonito, forte, másculo, que arranca suspiros das garotas... Pausa novamente.

Ok, ele é tudo isso, mas também é um rapaz trabalhador, jovem, que sustenta sua mãe e seus irmãos porque seu pai morreu, deixando sua mãe grávida com uma cambada de filhos. Então ele teve que ir praticar caça, o que era proibido, para garantir a sobrevivência. Mas, claro, ele é lindo, então que importa o resto? Nada de crepuscolizar, ok?

Então chega a parte de falar dos Jogos. Como eu disse, o Capitol, a Capital, ou a Casa do Car... Enfim. Eles querem manter o controle sobre os distritos, mas apenas forças armadas não segurariam a população. Então o que eles promovem? Os Jogos Vorazes.

TADÃÃÃN!

Moranguinho do Nordeste, o que são os Jogos Vorazes?

Os Jogos Vorazes são um reality show dirigido pela Capital, onde um menino e uma menina de cada distrito, entre 12 e 18 anos, são sorteados para lutarem em uma arena até a morte. O que sobreviver, será o vencedor e então ganhará muito dinheiro e fama. Mas por que isso? Para mostrar às pessoas que a Capital tem o poder sobre eles, que pode tomar todo ano duas crianças de cada família e fazer com que elas tenham mortes lentas e dolorosas... E então deixam um vencedor para mostrar que eles são misericordiosos e perdoam. Mais ainda, recompensam.

Capitalismo puro.

Ah, tem um detalhe também. Se você coloca seu nome algumas vezes mais para o sorteio, ganha suprimentos de grãos e óleo. Katniss tinha seu nome lá 20 vezes e o lindo do Gale tinha 42 (número que por sinal é a resposta à questão fundamental da Vida, o Universo e Tudo Mais, como o Vitor – aquele Vitor lá que citei no começo do texto – fez o favor de me lembrar). Tem todo um sistema envolvido nisso, mas não vou explicar aqui. Se quiserem, leiam o livro.

Então vão todos para a praça ver o sorteio e saber quem vai ser o defunto Tributo da vez. E quem é selecionada? A pequena Primrose Everdeen, irmã mais nova de Katniss. É uma tristeza essa cena, tanto no filme quanto no livro. Ouso dizer até que a cena do filme é mais emocionante, quase me fez chorar nas três vezes que assisti, e olha que sou feita de pedra.

Katniss, então, se oferece para ir no lugar da irmã. Lógico. E adivinha quem é o garoto que é sorteado para ir com ela? Gale!




Mentira, é um tal de Peeta Merllak que a gente não tinha ouvido ainda falar na história. Ficamos sabendo que tinha uma vez jogado um pão para Katniss quando ela estava morrendo de fome, então tudo bem, galera, ele é bonzinho.



Eles se despedem da família e dos amigos, tudo muito lindo, e vão atrás da taça de quadribol! Não, pera... vão para um trem de luxo onde eles encontram uma coisa que quase nunca tinham visto na vida... comida boa!

Estão lá indo para a Capital, o Capitol, a Capitania de Pernambuco ou o que for, com Effie Trinket (uma perua extravagante da Capital que usa uma peruca cor-de-rosa e tem um sotaque enjoado) e Haymitch Abernathy, um bêbado barrigudo que já tinha vencido os jogos uma vez e por isso era o tutor deles.


Gosto muito do Haymitch, ele é irreverente, folgado e tem uma visão de mundo muito melhor do que a de muita gente. Por isso que é bêbado, acho que quando você compreende o mundo, a cachaça é a única saída.

Ele explica para os tributos que eles tem que conquistar o publico, fazer com que acreditem que eles tem chance de ganhar, só assim ganhariam patrocinadores. Os patrocinadores eram geralmente pessoas muito, muito, muito podres de ricas da Capital que mandavam alguma coisinha para o tributo que estava na arena. Isso podia ser uma caixa de fósforo, uma garrafinha de água, um remédio... e então isso caía de para-quedas para o tributo e poderia até salvar a vida dele.

Pausa.

Genial, não? Essa autora é demais! Veio para mostrar como as aparências, a mídia, tudo é uma questão de autopromoção numa sociedade capitalista onde tudo é fama e dinheiro. Eu faria uma análise mais detalhada seguindo por esse ponto, mas provavelmente ficaria tão chato que nem minha professora de sociologia teria saco para ler.

Então eles chegam à Capital, ou Capital, vulgo Coréia do Sul, onde a tecnologia de ponta é uma loucura e as pessoas usam roupas e cabelos coloridos e brilhantes. Outro mundo, com certeza. Katniss toma seu primeiro banho de chuveiro e conhece a sensação de ter energia elétrica o tempo todo (no distrito eles só tinham eletricidade duas horas por dia).

Os drag queens figurinistas (sim, os tributos tinham figurinistas) eram criaturas bizarras, mas Cinna, drag figurinista de Katniss, não é tão fatality, embora no filme a figurinista de Peeta parecesse uma nega maluca. Logo eles ficam amigos e ele ganha a confiança dela.

Tá, então eles aparecem para o público, a roupa deles arrasa e eu não vou estragar a surpresa da roupa porque é muito massa, vocês tem que ver e... Mentira, vou falar:

Eles ficavam com o rabo pegando fogo. Uhul!

Isso é bom porque, como vocês sabem, o que importa são as aparências. Aparência é tudo em Jogos Vorazes e define o limiar de vida e de morte. Na vida real também, mas ninguém percebe porque a ideia é fazer tudo parecer natural.

Olha eu falando de capitalismo de novo.

Enfim, Katniss arrasa e não para por aí! Chama a atenção dos idealizadores de uma forma muito peculiar que eu não vou contar aqui. Ah, vocês sabem que vou sim: ela atira uma flecha na comida dos manés, há! Isso garante a ela uma excelente nota, a maior nota de todas, por sua atitude.

Peeta também vai bem, caso alguém queira saber. E se vocês pensam que ele está de coadjuvante na história, tirem seus cavalos da chuva, porque ele numa entrevista de repente se declara a Katniss! É muito bonitinho, ele diz que sempre amou uma garota mas ela, como nós, leitores, não notamos ele até os Jogos.

E o entrevistador fala:
– Então você ganha e volta e ela vai ter que ficar com você.
E ele diz:
– Não posso, ela veio para cá comigo.

Ok, não foram essas palavras, mas foi esse o estilo. Captaram o espírito da coisa?

Então Haymitch, que como eu disse tem uma visão panorâmica do mundo, resolve promover essa história de casal desafortunado para que eles caiam nas graças do público e consigam patrocinadores.

Pausa.

Só parei pra declarar meu amor ao Haymitch. Te amo, Haymitch!


Bom, esse foi basicamente o treinamento e a promoção deles. Tudo isso, dias de preparação para a Arena. Emocionante e belo, e é por aqui que vou parar. Logo faço a continuação até o final da história, mas agora minha bunda está doendo de tanto ficar sentada nessa cadeira, que por sinal é inapropriada para alguém ficar sentado muito tempo e está acabando com a minha coluna.

Acho também que já dei spoilers suficientes, então acho que chega deles, não é? Ou seja, se ainda não leu ou não assistiu, fique longe da continuação dessa resenha (sim, eu sou uma escritora que pede para não lerem minhas coisas) e, como diria o meu querido Haymitch:

– Fiquem vivos.



Sobre a Autora:
Érica Prado Érica Prado tem 16 anos, pretende cursar história, ouve metal e reclamações o tempo todo. Gosta de coisas fáceis tipo miojo e, portanto, não gosta da vida. Não, você não pode simplesmente gostar dos dois.
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