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domingo, 30 de junho de 2013

(esse é um pergaminho numa garrafa ao mar)
Faz tempo que não construo um contato com você. Confesso, não sinto falta. Ainda parece hoje o dia em que afundei os dedos dos pés na macia e aparente areia daquela praia. Se eu fechar os olhos e mexer os dedos dos pés vagarosamente, ainda é possível sentir os grãos de areia fugindo dos cantinhos assim como suas promessas fugiram de pouquinho a pouquinho. É claro que eu ainda as carreguei pelo caminho, e excluí-las de minhas lembranças irrefutavelmente não fora tão simples quanto algumas batidas no pé para livrar os grãos restantes e poder seguir em frente.
Ainda não sei exatamente onde o peso que cada promessa e lembrança suas tinham em mim foram parar, mas a forma como elas podem me atingir atualmente está um pouco mais longe da distancia que a gente tentou enxergar naquele mesmo dia, espreitando a linha do horizonte. Eu não esperava tirar daquele dia feliz tantos dias confusos quanto o balanço do mar. Sim, por algum tempo me senti simplesmente boiando a deriva, sendo carregada pelos problemas e golpeada por muitos solavancos que, assim como as ondas, suas ofensas me causavam.
Não sei se você lembra que naquele dia nos questionamos o porquê de não podermos compreender tal magnitude que era o mar. Especulamos e criamos vários motivos, mas a admiração por ele só tendeu a crescer. Por fim, deixamos o mar levar todas elas, e saímos de lá muito mais livres e confiantes de uma vida feliz. Apesar de não ter visto isso concretizado, percebo que pude me curar desse sufoco de promessas catalogadas em minha mente.
Também não sei se os elementos presentes no mar seriam capazes de diluí-las, mas mesmo assim, envio-as simbolicamente nesse pergaminho, visto que você nunca o lerá e nem eu mais sei quantas elas são. Mas o peso das palavras há de servir, e, assim, deixarei o mar levar.

Rursus.
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Huirian Suzin disse...

;( triste..., bonito, mas bem triste.