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sábado, 29 de junho de 2013

ceci n'est pas un poème


Poesia se escondeu
Correu pra longe:
Fugiu e diz não voltar.

Poesia fugiu e bradou: amor morreu!
Deixou-me só e sumiu.
Num ocaso primaveril
Deixou-me para morrer
Mas antes, fez-me seu.

Amor mentiu e iludiu o sonhador
Disse, um dia, para a poesia
Que era eterno o seu amor
Fez-se dor em meio ao meio-dia
Mas, findada a aurora,
Acabou por morrer a sinfonia.

Restou o oco: o que ficou em mim,
E que agora, é muito pouco.
Ficou nas veias desse artista,
Um café sem açúcar;
Algumas cadeiras vazias e
Papéis rabiscados de uma antiga poesia
Sob, até onde se avista,
O amor que não restou.

Ficou o sentimento
Mas o sentir é muito lento
“Sinto muito apenas”
São palavras sem sentido
É o medo que serve de abrigo
Para ocultar todo tipo de...
(...amor?)
...dor, que aqui ficou esse vazio.

E sem você, esses dias
Não são dias; não têm poesia
São dias em que tudo é frio.
E o distante
Me diz tanto
Que faz perceber
O que ficou para trás naquela quinta
Embora talvez você não admita,
Não era poesia propriamente dita
Ficou um belo pedaço do meu coração e
Despedaçado, um espelho em frangalhos
Algumas “migalhas dormidas do teu pão”

Talvez o que tenha restado,
Após findada a harmonia que
Só a sua presença trazia,
Após o fim da inocente poesia
- Que não tinha culpa de nada
Apenas seguia estrada
Onde chão não tinha -
Ficou o abismo, inexplicável
Que talvez ‘cê preencha
Quando eu te explicar, em meus (a)braços
A falta incomensurável
Que você fez.

E aí talvez você vá perceber
Que metade de mim foi você
E a outra é a poesia
Que, no fim de tudo,
São as mesmas notas que ecoam
E nunca se dissipam, da tua melodia.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Huirian Suzin disse...

divino, e lindo, já é o segundo poema "desamoroso" do dia. Mas faze né, alguém escreve bem, dai a gente lê, com amor, sem amor, .... adoro voces, me dão idéias.

Gilson Santiago disse...

Huirian, acho que às vezes é preciso perder alguns "amores" para se ganhar poesias. Obrigado pelas palavras!