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sábado, 5 de outubro de 2013

O Sam mais legal do mundo.



Não consigo fazer sentido pra você, me desculpe. Mas não daria certo, daria? Você é vermelho, eu sou azul, juntos somos roxo e eu nem sei se você se lembra. Tem coisas que são eternizadas em momentos tão pequenos que não cabem.
Não cabe, Sam. Não cabe a gente no curto espaço de tempo entre o anos atrás e o agora. Porque a gente é infinito e precisa do futuro pra se estender, pra ocupar espaço.
Pra você a poesia tem que ser dadaísta. Queria algo que só você entendesse.

Oh, gamgee, livre leve dos pássaros
Que a antiga civilização dos burgueses desafortunados
Voou quebrada na caverna de cristal
Em quarenta e cinco graus em relação ao leste
Que reflete o quê mesmo?
Chocolates.
Power Rangers.
Você estava errado, Ford!

Somos ninjas dos vinte e sete sentidos
E descansares e cobrires e meias-voltas
Somos viajantes e coração de ouro
Vida, não me fale sobre vida...
Você estava errado, Ford!

Que no final do inverno a folha da árvore que caiu
Cancelou o festival e agora tenho uma torta
Pra comer fandangos no morro
Você estava errado, Ford!

Parcelei sem juros o burguês feliz
Sempre tenha um amigo chamado Sam
Aprendi
Com a vida dos outros
E com o roxo...
Mas você é impossível
O mais foda de todos os Sam’s.
Ford estava errado, Sam.

A antiga civilização maioneca nunca morrerá!
No litoral tem uma ilha e um filósofo
Riqué é uma pronuncia feia.
Vamos caminhar com o celular e bater no ovo
Um milhão de vezes
Deixar todos chocados
Ford estava errado, Sam.

Ford estava errado.
Precisamos avisar.
Aparatemos de quadrado em quadrado.
Precisamos avisar.
Ford estava errado.





Feliz aniversário, Samuel Martins, seu lindo!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

sobre pontos e anjos



Não sei ao certo, mas acho que riscava o céu
sei que podia tingir, através de linhas, o papel
em matizes tão novas que haveria de descobrir

Havia e ainda há, um dom de sei-lá-o-quê
nesse poeta. Algo misterioso no tracejar
Seus versos possuem algo que há de ser
uma leveza que não conseguiria exprimir

“De certo é poeta que ainda há de vir!
De certo...! ele é impossível de existir.
Mas existe...! Os dons mais absurdos
coexistem, resistem, existem nele e só.”

Ainda não entendo sua métrica,
nem o seu compassar em versos
que me soam à casta dos anjos

Talvez seja ele próprio um,
destinado pela Providência
a tornar as coisas mais belas,

Não sei, mas sendo, conseguiu
o perfeito e o inatingível, atingiu
dentro dos seus versos métricos.

O sublime, o real,
Imaginário, abstrato
Tudo uniu, meu caro.

És tu a criança a brincar em poesia
És sol raiando no horizonte, no dia
primeiro. O dia que lá fora, comemora.
Onde a poesia brilha até nos olhos.

Respira a poesia do dia-a-dia
para mergulhar na melodia.

És poesia, amigo.
Fim

...

(Parabéns, Samuel Martins! Queria algo mais especial e que contivesse metade da beleza dos seus, mas não é nem um pouco fácil. Portanto, deixo meus versos simples, mas de coração)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sobre-Viver (presente do Lucas)

Presente de aniversário do Lucas, por Gilson (Richard) e Érica (Juliete)

[RICHARD]
Humbert, olha só, sou independente. Sou livre pra voar hoje, estou só acorrentado à minha alma e algumas lembranças que encontrei num baú. Fui ao sótão hoje, embora tivesse jurado a mim mesmo não fazê-lo (nunca cumpro as promessas que faço a mim mesmo) para encontrar algo de vinte um anos atrás. Lembra-te, Humbert?, aquele inverno?, o berro inocente de alguém que chorava por conhecer esse mundo tão frio e doente ecoava pela sala..., se lembra? 

[JULIETE]
Baús velhos são uma merda, Humbert. Quis queimar tudo o que tinha no baú que Rick encontrou só por não ter a possibilidade de voltar no tempo. Afinal, de que serve o passado se não podemos voltar nele? Anos e anos da lembrança de que o homem ocidental precisa chorar. As pessoas nas fotos parecem tão grandiosas, não é?, eternas em sua felicidade ou tristeza ou seja lá o que é que tenham na hora. O resto é tudo muito líquido, então acho que só as fotografias são capazes de desafiar o tempo.

[RICHARD]
As fotografias são amantes da péssima memória, são minhas amantes. A gente acaba por se prender num tempo que já passou. É a forma mais ridícula de se desafiar o tempo que nos fode lentamente, mas já é uma forma. A foto que achei no velho baú, Humbert, narrava um nascimento. Algumas pessoas no hospital, um guri e um puta de um sorrisão estampado na cara de uns presentes. Essa era uma foto grandiosa embora triste (a vida não é feita só de sorrisos, Humbert); sei que Juliete vai discordar de quase tudo que eu disser, mas não me importo; não agora. Fotos são decadentes, mas é o bolsão de tempo que temos e aquela trazia toda a vinda de um mundo perfeito para o sofrimento; nascer é dor tal qual é viver; não melhora, é decadência pura viver, mas estamos vivos nesse momento. Pra nossa sorte ou azar, estamos vivos.

[JULIETE]

Oh, não! Não são decadentes, as fotografias. Talvez a nossa imagem nelas o seja, mas não elas – elas não tem culpa de sua melancolia, Rick! É que as coisas velhas e eternas causam um incômodo nostálgico, algo meio que como uma tentação e a gente não sabe mesmo descrever. Mas olhando pra essas fotografias que datam desde o nascimento até o resto da vida, qual dessas você desejaria ser? Creio que gostaria de ser aquela que só captura a paisagem, no meio de uma estrada que não me lembro qual é, tirada numa viagem a algum destino que também não me lembro. É essa imagem que eu gostaria de ser, de estar, assim, tão calma! Sem sorrisos verdadeiros ou falsos, nem choro, nem melancolia. Sem reflexões sobre como a vida vale a pena ou não, porque eu gosto do fato de você viver, Humbert, e gosto de que seja assim, procurando em outras terras alguém que o compreenda, porque assim nos conhecemos e assim estamos escrevendo isso.

[RICHARD]
O eterno e o imutável incomodam: isso é bem verdade, Juliete. As fotografias me deixam letárgico, pensativo e nisso eu creio que o ser, sem complementos, me bastaria. Creio que existir somente me basta: chego a dizer isso todos os dias para me iludir, sem efeito. Gostaria de não ser, de inexistir. Mas isso seria calmo demais. Não gosto de coisas calmas, me turvam a visão ao tentar enxergar um sentido pífio para a vida. É como tentar enxergar o fundo do mar quando ele está calmo: perde o sentido da palavra ‘tentar’; depois que se consegue, qual o sentido? A vida se torna morna e calma, e tudo que é calmo é assustador; não sabemos o que se esconde na quietude. Gosto do barulho para contemplar meu silêncio; gosto do caos para achar a minha ordem; gosto de existir para saber a minha inexistência. Acho que sou confuso, fujo muito, mas, não sei do quê. Talvez do meu reflexo, talvez do passado por quem sou apaixonado e, ao mesmo tempo, amedrontado. Sei lá, Humbert; é esquisitice isso, mas esse sou eu. Creio que vá compreender. 

[JULIETE]
Pois eu sou o contrário: eu sou o caos. Como você ama dizer, Humbert, eu sou caos. Você está certo. E mais caos só me faria confundir os sentidos. Você não, Humbert, você, como Rick, é um lago de águas paradas, cristalinas, rasas. Vocês são tão fáceis de enxergar, mas aí faz parecer que sempre há algo que ainda não vimos. O que se esconde por trás das suas águas cristalinas, Humbert? Acho que elas podem guardar um vulcão.

[RICHARD]
Vi algumas fotografias preto e branco, vi minha vida passar sem cores, um tom de sépia aqui e ali; o resto, sem cor. Acho que às vezes é preciso largar tudo para colorir um pouco as nossas vidas. Mais uma coisa que não consigo engolir, não me desce à garganta: viver uma vida em tons de sépia. Sépia é broxante, é deprimente. É um tom de nostalgia, mas é um tom ruim, sabe? As fotos que guardei, Humbert, foram recordações boas. Aquelas que queríamos, no momento, ser deuses (sem a imortalidade) para fazer aquele momento eterno: congelar Paris inteira só para aquele tempo não acabar. Éramos felizes e não sabíamos de nada; vinte um anos, Humbert e ainda estamos aqui. Estamos vivos. Acho que isso é tão importante quanto um aniversário. 

[JULIETE]
Sim, éramos felizes e não sabíamos, e digo mais: éramos felizes porque não sabíamos. Éramos crianças vivendo de bolas de neve, mas não queríamos que o inverno congelasse Paris para sempre, porque sabíamos viver na primavera também. Nota a diferença? Não sabemos viver todas as estações, e por isso queremos que o inverno congele o tempo para ser eterno um momento que na verdade era um momento comum, mas pelo menos sabíamos vivê-lo. Você sabe como viver esse momento, Rick? Você sabe viver esse momento, Humbert? Você sabe viver?

Viva comigo, Humbert, mais um ano. Não precisamos congelar nada, os tempos líquidos são os que nos ensinam a viver.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Limbo dos poetas III: Sacrifício



Então chega a vocês a terceira edição do Limbo dos Poetas! Apresentando agora a poesia do leitor e poeta Ernande Oliveira Souza: Sacrifício.
Também quer ter sua obra publicada na Decadência? Mande um e-mail para adecadenciadoanjo@hotmail.com, que estaremos mostrando ela aqui, neste espaço.







Tempo maior de oração
Porque é maior a tentação
Momento forte para atravessar
Resistir ao mal que queira ameaçar

Dias próximos à paixão de Jesus
Que sofreu pregado em uma cruz
Com o peso de nossos pecados
O inocente e pagando pelos culpados

Hoje muitos de nossos semelhantes
Ainda sofrem agonizantes
Pagando a culpa que não é sua
Como negros e moradores de rua

Pobres, sem terra, moradores de ponte
Jogados por toda parte nas cidades
Caminham sem rumo no seu horizonte
Carregando os erros da humanidade

O cidadão marginalizado
Carrega a cruz de quem tem carro importado
Os famintos e os desempregados
De quem não tem tempo para dormir
E dos que andam intoxicados

Há sempre vida mansa
Para os verdadeiros culpados
Mas quem come lixo, anda descalço
Não tem escola, dorme com frio
E é chamado favelado
Toma o sofrimento para si
E, inocente, é crucificado

E aqui eu lhe pergunto:
Você está de que lado?
Será você o culpado
Ou o inocente crucificado?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

[ESPECIAL DE DIA DAS BRUXAS] Dance for your daddy




Dance pequena, na ponta dos pés. Dance sobre o mundo que desmoronou ao seu deleite. Dance, porque dançando você é completa - na ponta dos pés é quase minha. Dance minha pequena criação.

Dance sobre a morte que lhe habita. Dance para escurecer ainda mais o breu do seu olhar de menina malvada. Dance com suas facas grudadas em minha pele. Dance em minha pele.

Dance filha minha.

Baile assim do seu jeito, com seu corpo moldando-se ao meu, fazendo de mim sua ideal morada antes do amanhecer. Encontre-me de braços abertos a esperá-la em um beco escuro enquanto ainda não é dia. E junto adiemos os dias! Dance comigo por todas as noites da nossa vida (des)vivida, embala-me, usa-me. 

Despedace-me. E morra por esse bailar que a mantém viva.

Curve os lábios me um fio de voz frouxo e rouco: não mais que uma confissão. “Amo”. Ama o que menina? Ama a quem? Ama seu pai, amante e amigo? Ou ama aquele que a ensinou a matar? Mate em meu nome três vezes se preciso for! Suje as calçadas com sangue tão imundo quanto o nosso!

Mas permaneça viva para que na noite seguinte eu possa contemplar o seu bailar.

Quando romper o dia separe seus brotados seios desnudos de minhas costas e desenlace-nos. Faça da normalidade o fato anormal, você longe de mim, daquele que a fez menina e mulher. Aquele que fez da sua dança nosso acoite, crueldade mórbida nas noites quentes.

E quente também é o seu sangue, afinal não é ele também o meu? Esquente-me com seus pés a roçar o sexo meu enquanto ri com seus olhos de ressaca marítima. Oh! No mar dos seus olhos eu mergulho e juro que se soubesse morrer morreria por eles! Morreria neles! Afogado e enganado pela menininha que espicha pelas meias quatro oitavos – minha menina dançante.

Dance para mim bailarina da morte.

Faça das poças de sangue seu ideal tablado. Dance em carmesim! Em vermelho vinho que bebo do corpo seu. Faça-me ébrio do néctar do seu corpo – do sexo que é somente meu. Dance e viva, pequena. Viva porque a morte é sua fiel amiga, afinal são pelos passos dela que você segue o seu bailar; seu bailado tem aroma de término.

Dance para o seu pai filha.

E grite e corra para meus braços. Injete-se em minhas veias saltada como a heroína da minha vida, mas também seja meu torniquete, enquanto a mim cabe ser a sua salvação. Mas nunca a salvarei de mim, porque eu também sou você. Somos almas unas no mesmo desespero de não saberem morrer, mas que vivem pelas doses homeopáticas de suicídio. Transforma-me em música e deixe que eu seja sua escala dissonante. Morra por mim mais três vezes, mesmo que eu não morra nenhuma por você.

Em meu nome torne-se Jesus, enquanto para você serei somente Judas. Talvez você possa ser Madalena: mas falta santidade em você? Então seja somente minha Maria, minha Virgem Desvirginada, de pés descalços e sorriso jocoso, aquele que se deleita com a dor de um tapa em carne já trêmula. Seu sorriso mais bonito! O que faz-me o ser mais extasiado do Universo é esse seu sorrir que pede por mais dor, por mais chagas em pele já dolorida. Peça mais, querida. Peça minha bailarina, faça dos seus gritos sua música: torne-me seu maestro!

Dance em nome do Espírito Santo, mas nunca proclame o amém. Baile sobre seu próprio corpo morto – no fim é isso que restará. Você morta e eu a desvirginar-te três vezes mais e mais.

Mas não dance mais, pequena: dê início à contradança.
Sobre o Autor:
Lucas Rodrigues Nascido no inverno de 92, cursa Letras, mas pretende cursar em breve História da Arte. Ama metal como ama artes plásticas, cinema, preto&branco, livros manifestações culturais populares e musicas regionais. Escuta um pouco de tudo - assim como escreve. Só não sabe se descrever.

[ESPECIAL DE DIA DAS BRUXAS] Sleep well, my little prince





Em homenagem ao Halloween, nós da Decadência resolvemos desafiar nós mesmos preparar um especial para vocês. A proposta foi escrever, em dois dias, um conto macabro para homenagear a data. E o que esses contos possuem em comum? Todos os titulos são canções de ninar. Lucas, eu e João Victor aceitamos o desafio e fizemos os contos. Particularmente, é meu primeiro conto de terror. 
Espero que gostem.





Parte 1 – silent night (noite silenciosa)

Tac. Tac.
Federico cochilava sentado em sua cama quando o barulho de cacos atingindo a janela de seu quarto fez com que abrisse os olhos. Seus óculos estavam tortos no rosto e o livro que estava lendo pendia amassado ao seu lado na cama. Ele concertou os óculos e tentou desamassar o livro da melhor forma possível, enquanto o som de cacos batendo na janela retornava:
Tac. Tac. Tac.
Geralmente, quando ouvia esse som, era sua namorada, Christine, que lhe fazia uma visita noturna. Federico tinha noção do quanto estava desarrumado. Tentou ajeitar os cabelos na frente do espelho e tirar a expressão de cansaço do rosto antes de abrir a janela.
Mas não havia ninguém lá.
Ele se inclinou sobre o parapeito, tentando enxergar melhor o chão ao longe, mas ela não estava parada esperando, como deveria; olhou para os lados, porém a rua parecia deserta.
– Chris? – disse ele para a noite.
E um sussurro fraco, quase inaudível na noite, respondeu:
– Estou aqui.
Federico sorriu e passou a perna sobre o parapeito, pulando da janela para a sacada. O vento frio agitava seus cabelos, desfazendo a precária arrumação anterior, e ele olhava para o chão quatro metros abaixo de si, procurando uma maneira de descer. Talvez pudesse alcançar a janela do térreo se ficasse pendurado na sacada.
Ele se virou de frente para a janela do quarto, se posicionando para descer, e deparou-se com o rosto de Christine a centímetros do seu.
– Federico! – ela o segurou pelo colarinho da blusa bem a tempo, porque o susto o havia desestabilizado e Federico quase perdeu o equilíbrio.
– Como você... – balbuciou, enquanto voltava a se endireitar.
Ela riu.
– Você é tão previsível...
Federico acariciou os longos cabelos ondulados da namorada, enquanto o vento forte fazia alguns fios grudarem em seus lábios cor de vinho. Quando ela ergueu a mão para acariciá-lo também, ele viu.
– Que marcas são essas? – perguntou, apontando para o pulso dela. Horríveis cicatrizes vermelhas brilhavam, circulando seu antebraço como pulseiras.
– Não estou vendo marca nenhuma – alegou ela, segurando-o pelo queixo e virando seu rosto para que ele olhasse nos olhos dela. Foi nesse momento que ele notou que o vento forte não vinha da rua, mas de dentro do quarto, jogando os cabelos de Christine para frente,sobre seu rosto.
– O que está acontecendo, Christine? O que você veio fazer aqui, me assustar?
Ela pareceu não se alterar com o tom grosseiro do namorado.
– Vim te colocar para dormir, meu amor. – E então beijou-o. Seus lábios pareciam ácidos, líquidos. Era como se Federico estivesse tomando um copo de vinho. – Durma bem, meu principezinho.
E suas mãos macias em seu colarinho o empurraram para a noite gelada e para o chão distante.






Parte 2 - nighttime blessing (noite abençoada)

Tac. Tac.
Federico acordou sobressaltado de seu cochilo, o peito arfando, os óculos tortos no rosto, o livro que estava lendo pendia miseravelmente amassado. Ele tentou desamassar o livro da melhor maneira que pode, enquanto ouvia novamente o barulho de cascalho atingindo a janela.
Tac. Tac. Tac.
Ele permaneceu na cama.
Foi só um sonho. Um sonho. Apenas um sonho. Ele ficava repetindo para si mesmo, mas ainda assim não conseguia levantar os pés da cama para abrir a janela.
– Christine? – sussurrou, certo de que se estivesse fazendo papel de otário ninguém presenciaria. – Você está aqui? Está no quarto?
Toc. Toc. Toc.
Agora o som vinha da porta fechada. Alguém batia. Talvez fossem apenas seus pais, ou talvez fosse Christine, mas como ela teria conseguido chegar até lá?
Federico ponderou se deveria ficar em silêncio, fingindo dormir, antes de perguntar:
– Quem é?
– Christine – sussurrou uma macia voz feminina do outro lado da porta. – Me deixe entrar antes que alguém acorde e me veja aqui.
Federico levantou-se trêmulo da cama. Foi só um sonho.
– Como você chegou aqui? – perguntou através da porta, segurando a maçaneta.
– Depois eu te explico, me deixa entrar!
Ele permaneceu em silêncio, respirando fundo e tentando perder o medo. Ela não poderia atirá-lo da janela dali, poderia? Ele só teve um sonho ruim.
– Federico, o que está acontecendo, por que você não me deixa entrar? Se seus pais me pegam aqui...
Ele não teve coragem de abrir a porta.
– Vá embora, Christine – respondeu. – Eu vejo você amanhã, vai pra casa agora.
Houve um breve silêncio do outro lado, e um suspiro.
– Eu não posso ir embora – ela revelou.
– E por que não?
– Porque eu estou amarrada e muito machucada. Eu não consigo andar, Nem me mexer.
– O quê? – Lembrando-se das marcas dos pulsos, Federico abriu a porta imediatamente, mas ela não estava no corredor. – Christine? – chamou, encarando o breu à sua frente, repleto de pânico.
­– Estou aqui – disse uma voz vinda de dentro do quarto.
Ele se virou tão bruscamente quanto bateu a porta.
Christine estava sentada na sua cadeira do computador, girando e girando, com os pulsos amarrados para trás e o corpo coberto de sangue. Ele podia ver os machucados das algemas em seus pulsos, tal qual os do sonho. Cortes profundos haviam retalhado sua testa e bochechas e a cabeça dela pendia para trás, com os cabelos jogados sobre o espaldar, com olhos e boca muito abertos.
Federico cobriu a boca com a mão para não gritar.
Sangue escorria pelo chão, manchava de vermelho o tapete azul e ameaçava chegar até seus pés. Ele recuou até encostar na porta atrás de si. E Christine girava e girava...
No espelho do guarda roupa encarava-o o reflexo dela, com o rosto arrancado, as órbitas podres... No monitor do computador, outro reflexo tinha a boca cordada de orelha a orelha, com o nariz e os olhos enfiados nela... No reflexo do brilhante sangue do chão, ela tinha as mãos costuradas no rosto... E no copo d’água do criado mudo ela se afogava...
Mordendo as costas da mão com toda a força para não gritar, ele se virou para fugir, mas, ao abrir a porta, Christine o esperava sorridente no corredor. Ele não sabia se fechava a porta, se preferia a Christine sorridente ante à garota amarrada em sua cadeira.
– O que você quer? – perguntou com a voz abafada, porque a própria mão tapava a boca. Sangrava, de tanto ele morder.
– Te colocar pra dormir.
Federico a deixou entrar temendo que, se fechasse a porta novamente para ela, a figura agonizante na cadeira voltasse a aparecer.
Ela sorriu.
– Não se preocupe, você vai acordar.
Trêmulo, ele tirou a mão da boca e se caminhou para as mãos estendidas dela. Christine o guiou para a cama e ele se deitou em seus braços, quase se esquecendo do terror que causara, sentindo o cheiro que ela emanava, cheiro de rosas, morangos e sangue... sangue...



parte 3 - sleep well, my little prince (durma bem, meu principezinho)

Como prometido, Federico acordou. Um cheiro forte invadia suas narinas, mas não era mais sangue: era cheiro de podridão.
Foi só um sonho, repetiu para si mesmo, mas não quis abrir os olhos. Tateou ao seu redor. Estivera deitado no chão.
– Christine? – chamou. E então mais alto. – Christine!
Mas não houve resposta.
Inevitavelmente, seus olhos se abriram. Mas foi como se não o tivessem feito: a escuridão engolia o local. Tateou novamente pelo chão, e suas mãos encontraram uma substância viscosa. Elas tremeram no caminho até o seu nariz, mas Federico não saberia dizer se aquilo fedia miseravelmente porque todo o resto fedia, ou se a substância fazia parte da fonte do odor.
– Christine! – tentou ele novamente. – Christine!
E desmaiou.
Despertou com o som de uma porta abrindo e a claridade que vinha por trás dela quase o cegou. Demorou alguns segundos para seus olhos se acostumarem e virem uma silhueta cortada contra a luz.
– Christine? – sussurrou. E foi tudo o que conseguiu dizer.
A figura entrou e fechou a porta atrás de si, trazendo a escuridão de volta.
– Por que não ligou a luz, bobinho? – perguntou a voz dela, vinda de algum canto à sua frente. Em seguida, alguns passos e o clique de um interruptor sendo ligado.
Federico teve que proteger os olhos contra a luz insuportável que atingiu o local. Demorou alguns minutos até que pudesse se acostumar com a claridade e abrir os olhos devagar.
Christine estava lá, de pé à sua frente, com seu jeans e sua camiseta. Olhava-o de cima, mas com ternura.
Ele olhou ao redor. Uma dezenas de corpos estava jogada na sala branca. O sangue, a carne podre, os olhares que ela sequer teve a decência de fechar e que agora decompunham-se sem dignidade. Havia cadáveres de onde os rostos haviam sido arrancados, outros onde as mãos foram costuradas  aos rostos. Um deles tinha a boca cortada de orelha a orelha e nariz e olhos enfiados nela; outro estava amarrado numa cadeira da mesma forma que Christine estivera em sua visão.
– Onde eu estou? – perguntou a ela.
– No meu circo.
Ela puxou sua cabeça para trás, pelo cabelo, pegou um pequeno canivete no bolso de traz do jeans e o enfiou no ouvido de Federico, girando e girando como uma broca. O fedor o deixava tonto e a dor ia chegando ao seu cérebro. Ele tentou empurrar a mão dela, mas só conseguia tremer de dor.
Grite, disse ele a si mesmo. Grite, essa dor é insuportável.
Grite, grite...
E um sussurro chegou ao seu ouvido ainda bom antes que ele apagasse:
– Shhh... Durma bem, meu principezinho.



parte 4 - all day, all night (todo o dia, toda a noite)


Tac. Tac. Tac.
Federico acordou com o som de cascalho batendo na janela do quarto. Seu óculos estava torto dobre o rosto, o livro que lia pendia amassado ao seu lado...




Sobre a Autora:
Érica Prado Érica Prado tem 16 anos, pretende cursar história, ouve metal e reclamações o tempo todo. Gosta de coisas fáceis tipo miojo e, portanto, não gosta da vida. Não, você não pode simplesmente gostar dos dois.
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[ESPECIAL DE DIA DAS BRUXAS] - Sleep, Baby, Sleep


Para comemorar o famoso (não tanto aqui no Brasil, infelizmente) Dia das Bruxas, a Decadência (mais especificamente eu - João Victor -, Erica e Lucas) decidimos fazer um "especial", para comemorar a data. Afinal, o que mais poderia fazer A Decadência pelo seus leitores no Halloween, se não alertar sobre os perigos da data? Hahaha Divirtam-se!


A hora mais odiada e mais necessária do dia havia chegado tão rapidamente que quando viu que já era tempo de descer do seu pequeno e precário apartamento para ir para o trabalho, assustou-se. Vestiu o vestido vermelho com aberturas nas costas e um decote grande na região dos seios, que deixava suas pernas bem à mostra e apertava bastante nos quadris, aumentando ainda mais o volume que tinha. Era naquele momento que dava adeus à sua real identidade e passava a se chamar Suzy, uma das mais famosas prostitutas da Avenida Madalena.  Vamos dar, por que viver está complicado, pensou, rindo da piada sem-graça e cruel que tinha de aturar todos os dias desde que completara os seus 10 anos de idade.

Penteou os cabelos negros e lisos e passou um batom de uma cor aproximada à do vestido, e saiu com seu salto alto, para uma caminhada de vinte minutos até lá. A noite já caía, e o céu estava com uma tonalidade roxa, com pequenos pontinhos luminosos e uma lua cheia e azulada pendendo no céu. A noite era tranquila e fria, e o único som que escutou era o de carros passando ao longe, na Avenida para onde seguia naquele exato momento. A brisa parecia trazer consigo um mar de maus presságios, e toda vez que dava um passo, um calafrio congelava o seu corpo e eriçava a camada fina de pelos em seus braços. Não se sentia assim indo para o ponto desde que começara a vida como prostituta, e a sensação lhe trazia à mente momentos cruéis, brutais e dolorosos que sofrera naquela época. Tentou afastar aquilo, e seguiu o resto do caminho fazendo de tudo para se focar em coisas positivas.

A Avenida estava movimentada, como sempre, e as outras quengas estavam espalhadas por toda a sua extensão, numa distância razoável de uma para a outra, embora algumas delas preferissem fazer pequenos grupos e revezarem. Elas costumavam se dividir por preço. No começo da rua, as mais baratas, até chegar ao seu fim, onde Suzy se encontrava. Seu trabalho era bom, e como todos os clientes gostavam de dizer, valia muito a pena o preço pago. A situação em sua vida pessoal era complicada, e usar desse pretexto de fazer o serviço direito uma forma de ganhar mais foi interessante para ela. Os homens e até mesmo algumas mulheres preferiam à ela na maioria dos casos. Talvez achassem que o seu aspecto mais limpo se comparado às outras valesse a pena o preço alto. Ela não sabia ao certo, mas dificilmente o seu espaço estava vazio, sem nenhum carro estacionado com um cliente louco por sexo fácil.

Logo que chegou, esperou poucos minutos até que um veículo amarelo parasse em sua frente com o vidro aberto, perguntando quanto era o programa. Em pouco tempo estava dentro do seu carro, do seu quarto, sobre a sua cama, com ele dentro de si, e mesmo que os calafrios persistissem, ela fez tudo como mandava o figurino, e assim passou a noite, entre programas e mais programas e notas de dinheiro. E só ás duas da manhã pareceu ter um folga para se sentar no meio fio e descansar um pouco. Tragou um cigarro e ficou olhando as poucas nuvens caminharem pelo céu, desaparecendo por detrás dos prédios.

Um carro parou na sua frente, e ela, distraída, só prestou atenção quando a buzina atacou seus ouvidos. Levantou-se apressada e jogou o cigarro no chão, ajeitando o vestido. Encostou na janela que se abria devagar. Lá dentro, duas figuras estranhas estavam sentadas. Um tinha uma máscara de lobo, enquanto o outro usava um gato para esconder as verdadeiras feições. Estava tão acostumada com todo o tipo de louco por aquelas bandas, que só fez o mesmo de sempre.

― Os gostosões querem uma noitada gostosa, é? ― E mordeu os lábios vermelhos. Eles, por sua vez, continuaram observando-a sem alguma expressão. Despois de alguns segundos, quando Suzy arqueou as sobrancelhas, o com cara de gato sacou do bolso duas notas de cem reais e uma de cinquenta, entregado em suas mãos. Era mais do que ela cobrava, mas aceitou de bom grado. Sem esperar algum convite, entrou no banco traseiro e acomodou-se. O carro acelerou-se, e durante todo o caminho as duas figuras permaneceram quietas.

Ela não pode evitar, e esteve receosa durante todo o tempo, mas não fez nada além de permanecer sentada e observar atentamente o caminho que seguiam. Com o passar do tempo, ela foi percebendo que as máscaras cobriam toda a parte acima do pescoço deles e que eram bastante benfeitas, trazendo um ar bem realista a fantasia deles.

O carro estacionou num local mal iluminado e deserto, em frente a uma casa com uma aparência de abandonada. Eles saltaram do carro e Suzy os imitou, consertando o vestido que insistia em descobrir mais e mais suas pernas. Não que se importasse, mas com aquele frio que fazia, qualquer lugar que se pudesse cobrir era lucro. Ficou esperando enquanto os dois se entreolhavam. O com cara de lobo enfiou a mão no bolso e a segurou pelo braço, levando-a até um muro ao lado da porta da casa. Ela sorria, maliciosa, esperando por algum sexo selvagem, e usou a mão livre para acariciar o volume entra as penas do homem, porém este afastou a sua mão. Jogou-a contra a parede com uma força desnecessária e tapou a sua boca com a mão. Suzy permaneceu parada, esperando pela ação do homem-lobo, sem demonstrar pânico. Aquele trabalho requeria calma. Eles eram mais um daqueles loucos sadomasoquistas, somente isso.

Mas o que ela não esperava, era ver que na mão que ele tirava cuidadosamente do bolso, estava um agulha grande e fina, com um líquido de aparência espessa dentro. Arregalou os olhos, e seu grito foi abafado pela mão que apertava os seus lábios. Tentou afastar a agulha que se aproximava com as mãos, mas ele logo a controlou. Em poucos segundos, ele injetava aquele líquido em suas veias, e ela caía num sono profundo.

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Acordou, e estava sentada numa cadeira dura e fria de madeira, com as mãos amarradas ás costas e as pernas presas aos pés da cadeira. Levantou a cabeça, e percebeu que estava sozinha num cômodo escuro, iluminado apenas pela luz fantasmagórica da lua. Gritou, mas se estivesse dentro da casa na qual havia parado junto com os dois homens estranhos, seria inútil. Não parecia que haviam vizinhos. Seu rosto parecia inchado, e as bochechas doíam, como se tivesse levado um soco no local. A boca tinha cortes profundos que dificultava o chamado de socorro, e os pulsos doíam. Parecia que o sangue não circulava por suas mãos haviam horas, e sentia a ponta dos dedos começando a adormecer.

― Alguém? Tem alguém aí? ― Disse, olhando para os lados, procurando pelo menos uma sombra dos homens com cara de animal que havia a levado até ali, mas nada parecia se mover, e ela tinha tudo para ser o único ser presente ali. O desespero só fez aumentar com o passar do tempo, e seu coração parecia estar se debatendo violentamente em seu peito, numa busca para fugir dali. Tentou de todas as maneiras se levantar, mas o fato de seus pés estarem presos nas pernas da cadeira dificultava o processo.

Até que, do além, uma voz aguda e estranha veio, aumentando a cada segundo, até tomar todo o espaço num barulho ensurdecedor. As janelas vibravam com a música estrangeira suave, desconhecida para Suzy. Ela não sabia como, mas podia jurar que era uma canção de ninar. As notas calmas, e a melodia devagar...

Olhou para trás, procurando a origem do som, mas a única coisa que viu foi uma sombra passando rápida por uma das janelas e a fez pular de susto.

― Quem é? Quem é? ― Começou um choro agonizante e tentou mais uma vez soltar as mãos, mas o seu desespero de nada adiantava. Ninguém a respondia, e começou a duvidar se alguém realmente a escutava. Poderia ser uma ilusão da sua cabeça? Podia estar sonhando? Será que aquele lugar sombrio e aquela música doentia não era na verdade um estado de torpor da sua mente? Um efeito da droga que o homem com cara de lobo havia injetado no seu braço direito, talvez. Mas a dor, o som, tudo era tão tocável, doloroso que não podia ser coisa da sua cabeça. O suor logo começou a escorrer por sua testa, e em pouco tempo seus seios, quadril, braços e pernas estavam encharcados pela camada pegajosa de suor.

Abaixou a cabeça, e ficou naquela posição, chorando por um tempo que não sabia dizer. Só foi chamada a atenção quando um corpo se projetou na sua frente, olhando-a furtivamente, com aquela máscara perfeita de gato que parecia tão real. Sua mão se aproximava do seu rosto e ela tentou se afastar, mas o assento da cadeira tornava impossível. Ele tocou suas bochechas fortemente, e logo prendia seu rosto com força. Tentou gritar, mas ele era forte demais. Na outra mão ele trazia um faca afiada que brilhava sob a luz azul da lua.

― NÃO! POR FAVOR... ― Mas foi inútil, logo a lâmina estava se aproximando das suas pernas, e entrava pela carne das suas coxas, fazendo seu corpo de contrair de dor. Não se lembrava de sentir algo tão horrível como aquilo antes. Não conseguiu parar de gritar, e no meio de lágrimas e suor escorrendo, sentiu que ele retirava a faca de sua perna, e observava sem expressão o sangue que escorria e pingava no chão. Não demorou muito e logo ele estava delineando o seu rosto com a ponta afiada da lâmina. Ofegou, e por um momento a dor na perna não era mais nada, pois um corte profundo nascia lentamente em suas têmporas e fazia um líquido grosso e rubro escorrer.

Gritou e gritou, mas enquanto o homem fazia o caminho em seu rosto nada o fez parar. Ela sabia qual seria o seu destino, e tentou de todas as formas acelerar a sua morte, mas ele gostava do seu sofrimento. Alguns minutos se passaram e ela já não tinha mais um dos polegares, e um corte sangrava na lateral do seu pescoço. Estava tonta, praticamente não sentia mais nada, e um bolo estranho se formava em seu estômago. Vomitou, e junto com o vômito, veio também sangue, dor e sofrimento. Não entendia nada daquilo e preferia não entender. Sua cabeça estava um tanto conturbada para raciocinar.

Já sentia que as forças estavam lhe escapando quando escutou pela primeira vez aquela noite a voz do homem estranho.

― Agora é a hora da princesinha dormir...

E a faca perfurou seu estômago. Antes do amanhecer Suzy já se encontrava morta, e junto com ela, mais outras sete prostitutas que haviam experimentado o mesmo fim trágico. 
Sobre o Autor:
João Victor Ferraz Não que alguém se importe, mas João é um sonhador, no fim dos seus 14 anos, que sonha em fazer Jornalismo e ter livros em todas as estantes do mundo. Isso mesmo, do MUNDO.

sábado, 20 de outubro de 2012

Resultado das incrições!




Depois de um mês de inscrições e dois dias intensos de avaliações, a decadência tem seu veredicto. Agradecemos a todos os inscritos pela participação e pela confiança de ter seus textos confiados para o nosso blog. É sempre uma honra ter novas perspectivas e diferentes talentos tão perto da gente. Por mais que todos saibamos que eram apenas três vagas, ficamos realmente muito tristes por algumas inscrições não terem conseguido nota suficiente para entrar. Queremos que encarem como críticas construtivas e que saibam que poderá haver nova seleção para a Decadência futuramente, onde vocês estarão convidados a se candidatarem novamente. Gostaríamos de poder abranger a todos os interessados, mas não temos suporte suficiente para isso e as escolhas que fizemos fio visando o melhor para o blog. Esperamos sempre abrir oportunidades na Decadência.

Lemos cada texto mais de uma vez e com atenção e, como prometido, todos serão publicados no nosso blog para divulgar o trabalho do autor. Buscando formas justas de avaliação, acabamos optando por atribuir cada um uma nota aos textos inscritos, somá-las e dividir por quatro. As maiores médias seriam as selecionadas. A seleção foi tão imparcial que estávamos quase fazendo apostas a respeito de quem entraria e, sim, brigamos por autores.

Como foi dito no inicio, apenas três vagas foram prometidas. No último minuto, contudo, resolvemos aumentar o número de vagas para cinco e então dobrar os posts no fim de semana. Dessa forma, dois serão os textos aos sábados e dois aos domingos, proporcionando uma maior variedade de conteúdo literário para você, leitor.

Bom, sem mais delongas, vamos anunciar os cinco ganhadores!

Rhaissa Ramon, que publicará nas quintas-feiras, tem 17 anos, nasceu e mora até hoje na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Sempre teve interesse pela escrita e pela leitura e é uma grande fã de Mario Llosa e tantos outros escritores “sem papas na língua”, o que pode ser visto refletido em sua escrita que tem o tom de rebeldia que a Decadência não é capaz de rejeitar.

João Victor Ferraz Meira sediará as terças e é o caçula da Decadência. Com menos de 15 aninhos, começou a escrever jogando em RPGs e então adquirindo experiência lendo mestres da literatura, como George R. R. Martin. Tem grandes planos para livros na gaveta e que não se enganem pela idade: ele sabe desenvolver uma narração.

Vitor Vallombroso (que ficará com a segunda e portanto será o primeiro novato a postar por aqui) alguns de vocês já conhecem, ele é o nosso parceiro do Insensato Teclado. Com 16 anos, já escreve desde os 5. Aos 7 já começou suas poesias, o que rendeu a ele suas primeiras namoradas. Tem um estilo mais irônico, gosta de zombar da sociedade, e traz pra decadência sua pitada de seu tom crítico e capaz de levar a conclusões muito boas.

Rodrigo Ribeiro, de 17 anos, que ficou com os sábados juntamente com o Lucas, foi introduzido na literatura através dos livros de fantasia e acabou se apaixonando por ela. Com o tempo, passou a apaixonar-se também por filosofia e literatura clássica, o que trouxe ao seu estilo de escrever um tom muito gostoso intelectual e reflexivo, sem perder a pegada ficcional e literária que estamos procurando
.
Por ultimo, mas não menos importante, fechamos com a nossa chave de ouro: Lisandra S. Bernardo, que dividirá os domingos com Gilson. É baiana, tem 15 anos, mas escreve desde os 7. Seu estilo romântico e delicado é um diferencial ao clima pesado da Decadência e também uma bela aposta em critério de narração.

Apenas lembrando a escala de nossos escritores antigos: João Saconi publica nas quartas-feiras, Érica, nas sextas, Lucas fica com o sábados e Gilson, com os domingos.

As postagens dos novos escritores começarão na segunda-feira, com o Vitor Vallombroso, e estaremos com postagens extras semanais, que serão os textos que foram inscritos. Publicaremos cada um de uma vez para não causar tumulto e para que cada obra seja apreciada.

Bom, isso é tudo, pessoal! Espero que nossos novos autores sejam bem recebidos por todo o pessoal que acompanha a Decadência e que isso sirva para edificar o trabalho de cada um.