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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

a tempestade que chega é da cor dos teus olhos



Ando só, tropeçando em bares, em olhares. Esbarrando em quinas, cruzando esquinas; procurando em cada curva, a curva do teu sorriso.  Trovo versos pra te tirar da memória – minha memória tão fraca cujo ponto fraco é você. Mas, nessa valsa tão falsa, acabo te eternizando. Você me faz esquecer tudo, exceto você.  

Solto gargalhadas pra ver se elas fazem todo o amor dormido descer garganta abaixo. Rio das minhas lágrimas pra ver se meus risos curam toda a ressaca dos teus amores. Choro e rio. Choro rios. 

Meus olhos falam o que engulo. Apenas rio. Rio e rabisco minha dor num papel amassado. Guardo no bolso com minha vida porque, afinal, você está nele, de certa forma. Caio e sonho. Caio em sono na calçada; vejo algumas coisas turvas; me perco em olhares, mas nenhum deles é o teu. Mordisco nuvens, mas sem te ter, tudo tem gosto de tempestade. 

A última vez que fiquei na tempestade foi a última mesmo. Foi no dia em que você foi embora; tua (in)tempestade me molhou todo de lágrimas, me jogou de um lado para o outro como um barco no teu mar. Perdi-me e não sei bem ou mal, mas devo ter me afogado. Nunca soube nadar na tua correnteza. Acho que no fim, sempre quis me afogar. E me afoguei. Afoguei em lágrimas. Apaguei, como o fogo que não resiste à corrente de águas que tudo apaga e transforma em cinzas. Apaguei. Tal qual nosso amor.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

érica Prado disse...

Li com olhos fechados por motivos de: já tinha decorado.
Beijos.

Gilson Santiago disse...

Você, como sempre, é um amor. <3