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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Por que o ambientalismo é uma mentira?




Não, não estou aqui para despejar teorias de conspiração Illuminati, Coca-Cola do diabo, Xuxa vendendo alma, bruxaria em Harry Potter, Nova Ordem Mundial, chips do demo, triângulo das bermudas, o fato de ser 19:19 e alguém estar pensando em mim... não.

Tudo o que vou expressar agora é um raciocínio. O meu raciocínio. E se o seu é diferente e destrói completamente todos os meus argumentos, eu ficarei muito frustrada se você expor, mas reconheço a importância disso. Ou seja, se você tem argumentos que refutem o que vou apresentar aqui, exponha-os.

Mas vamos ao ponto que realmente interessa: o ambientalismo. Uma mentira. Uma farsa. Uma enganação. Caralho, por quê? O clima não tá esquentando? Os níveis dos mares não estão subindo? As geleiras não estão derretendo? Espécies não estão entrando em extinção? O ecossistema marinho não está sendo comprometido? E não só o marinho, mas na verdade todo o ecossistema? As florestas não estão sendo desmatadas?




Não vou responder a essas perguntas. Não é essa a questão que quero abordar. Não falarei sobre o meio ambiente, falarei sobre o ambientalismo: a política de proteção ao tal meio ambiente.

Mas Érica, meu morango do Nordeste, pessoas que defendem a natureza são pessoas boas! Elas se preocupam com o planeta, elas abraçam árvores e fazem xixi no banho!

Não, eles não são pessoas legais e não se preocupam com o planeta. Não sei a respeito do banho, mas... bem. Vamos falar da água e ter uma breve aula de química e física. Há diversas campanhas sobre a economia de água, sobre a água potável estar tão escassa, sobre como os rios que sobraram estão poluídos e os seres humanos tem que se virar com os 0,01% de água que ainda dá para beber. Aprendi isso no ensino fundamental e, caramba, como esquecer algo tão fatal? Eu era uma criança assustada, mas uma criança inteligente. Eu pensava: mas a água não evapora? E ontem me peguei pensando na questão que eu levantava na infância e resolvi desenvolvê-la.

Vamos falar de moléculas. A molécula da água é o H2O, certo? E passa por estágios de estado físico da matéria. Quando a temperatura está de 0°C para baixo, fica em estado sólido (gelo). Quando está aos 100°C para cima, ela fica em estado gasoso (vapor d’água). A gente toma banho, lava o carro, escova os dentes, se molha na chuva etc. com a água entre 0°C e 100°C, quando ela está em seu estado líquido. Então essa água vai para o ralo, depois para o esgoto. Mas espera aí: a água evapora!

Quando você vê alguém lavando o carro com a mangueira, por exemplo, se lembra de todas aquelas campanhas sobre lavar o carro com um balde para economizar água. Então a água escorre pelo chão da calçada dessa tal pessoa, ficam algumas poças por algum tempo e, milagrosamente, quando você passa por lá novamente mais tarde, a água já sumiu!

Como, meu Deus? Ela evaporou? Mas não estamos a 100°C! A ciência não pode explicar isso, só pode ter sido Hydros, o deus da água!

Acontece que diversos fatores fazem a água evaporar, não apenas a temperatura. Se você presta atenção nas suas aulas química e física de ensino médio, vai estudar sobre pressão, influência dos ventos, termodinâmica ou física molecular. Enfim, assim como você não precisa colocar fogo em seu quintal para a roupa no varal estar seca ao fim do dia, você não precisa presenciar uma chuva de fogo para a água que aquele cara usou para lavar o carro também seque. E secar não é o termo correto, como assim secar água?

Enfim, a água secou, você vai pensar. Porque o canalha usou a água que poderia ter sido usada para outra coisa. Ele gastou a água e a água está acabando por causa do desperdício! Ou pelo menos foi isso que você aprendeu. Perdoem-me o caps lock a seguir, mas era isso ou gritar. Enfim...

A ÁGUA NÃO TÁ ACABANDO, CARALHO! NÃO TEM COMO ACABAR COM A ÁGUA ASSIM, SÓ USANDO ELA!

Você precisa desintegrar as moléculas para acabar com a água. Uma outra lição de química (professores de ciência, eu sei que eu não parecia prestar atenção, mas secretamente prestava): quando a água evapora, ela costuma evaporar no seu estado mais puro.  Não leva consigo o que está misturado a ela. Esgoto, terra, veneno... nada dessas sujeiras evaporam junto com a água. Ela evapora e vira chuva e por isso a chuva é tão limpa e não tem xixi nela.



Tomar banho, beber água, escovar os dentes, lavar o carro... Nada disso compromete as moléculas da água, é preciso muito mais que isso para ter, por exemplo, uma chuva ácida. Então, quando você usa e gasta a tal água potável que chega a suas torneiras, ela simplesmente desce pelo ralo, segue seu destino, evapora, vira chuva, cai no rio, vai para a represa, passa pelas estações de tratamento, chega até sua casa, você usa, ela segue seu destino, evapora, vira chuva, cai no rio... e assim por diante.

Esse é o ciclo da água! Ela não está acabando! Se você demorar apenas cinco minutos no banho, não estará economizando água para as futuras gerações, estará economizando, no máximo, tempo e energia elétrica. E dinheiro, hm. Pagar pra ter água, que interessante...

Pagar, pagar, pagar! Uma palavra chave. Porque você vai me perguntar: por que, então, eles enganam a gente falando que a água vai acabar se não escovarmos os dentes com um copo de 200 ml?

Dois motivos: lucro e distração.

Enquanto você está aterrorizado com a ideia de que seus netos terão que viver sem água e sem ar (hã?), as grandes corporações continuam lucrando a suas custas.

Vou explicar. O grande problema da água é a poluição dos rios, problema que é culpa de alguém. Não sua, nem minha, mas de fábricas, indústrias, minas, fazendas... enfim, culpa de gente rica. Mas ninguém faz campanha “não jogue os dejetos de sua indústria nos rios”, faz? Porque é assim que a mídia funciona: um número limitado de pessoas faz a mídia, um número limitado de pessoas tem o controle (assunto que abordarei no próximo texto) e um número limitado de pessoas é um número de pessoas que pode ser comprado. Compra-se a mídia e não é você que se beneficia com isso. Ocultando quem de fato são os poluidores, jogando a culpa na população. Parem de andar de carro, parem de dar descarga, parem de jogar lixo no chão... Ok, jogar lixo no chão é errado mesmo: é feio, entope a cidade, causa um problema com enchentes... enfim, muito anti higiênico. E o grande fluxo de carros emite poluentes, mas dá lucro às empresas, então quem sou eu pra falar alguma coisa?



Voltando ao assunto: a culpa não é sua. Não é você quem faz queimadas, não é você que deixa vazar toneladas de óleo nos oceanos, não é você que faz os ursos polares ficarem pretos, não é você que está ameaçando o ecossistema, não é você quem polui os rios, não é você que causa as catástrofes naturais. São eles que fazem isso: donos de empresas corporativas, grandes empresários, políticos a serviço dos empresários. São os que tem dinheiro para comprar o perdão da culpa de deixar tudo como está.

Mas por que fazer isso? Qual é o lucro em questão?

Primeiro, ser deixado em paz. É importante que você não saiba o que eles estão fazendo. Importante que não veja a grande parcela de culpa que eles tem. E no fundo você sabe. As pessoas sabem que alguma coisa está errada, mas não sabem onde. Por isso tantas teorias de conspiração e coisas do tipo. Acontece que falta ver que essa coisa que está errada vem do que você aprende, no que você assiste...
Assim, deixados em paz, a liberdade de produzirem o que quiserem e como quiserem é deles. Produzindo muito, vendem muito e você compra o que vendem. E eles então lançam produtos sustentáveis. Ah, os produtos sustentáveis! Vão de embalagens em refil a casas de madeira com telhado branco e painéis de energia solar. Não são maus produtos, vem de ideias interessantes, mas são caros. Papel reciclado é mais caro. Aparelhos eletrônicos que economizam energia são mais caros. Carros elétricos são mais caros. E então você compra as coisas mais caras.



Compreende o raciocínio? Não importa o carro que você tem, porque ele polui e então você deve comprar outro que não polui. Mas daqui a alguns anos haverá algo a ser apontado em seu carro não poluente, talvez produção de poluição sonora ou qualquer coisa do tipo, e então você terá de comprar outro carro. Você tem que comprar várias vezes a mesma coisa. E assim eles lucram, lucram, lucram...
 
Você compra coisas com embalagens de plástico, compra produtos de beleza, compra comida. Isso são coisas importantes de se ter, a comida principalmente. Eles sabem que são necessários e isso os torna ainda mais poderosos e mais ousados, porque você acha que depende deles.

Não descarto nem acato a hipótese do aquecimento global. Acompanho todos os pontos de vista que consigo acompanhar sobre o futuro do planeta. Sim, o ser humano causa danos, mas esse ser humano não é você, porque você é insignificante demais para isso. Você não está ajudando o planeta se deixar de lado seus hábitos de higiene de lado, então, por favor: usem a porra da água!



Observações:
Um ponto que meu amigo Ian ressaltou: a densidade da água. O que a pessoa faz com a água não altera a molécula, mas altera a densidade, o que interfere na mudança de estado físico. Trocando em miúdos: água suja é mais difícil de secar.
Outro ponto: a água sobe limpa, mas quando desce pode não estar tão pura assim. Motivo? Poluição. A poluição pode contaminar a água lá em cima.


Aqui vai uma imagem que ilustra bem o quanto de água você inevitavelmente consome.
(Clique na imagem para visualizar melhor)



Sobre a Autora:
Érica PradoÉrica Prado tem 17 anos, gosta de coisas fáceis tipo miojo, física, literatura e mudar o mundo.

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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Herica Black disse...

Sou chata pra essas coisas, vi no face e vim ler. ^^
E você está certa Érica, a água não está acabando (não é impossível a água acabar, mas não é esse o caso), a água limpa sim. Ok, ela evapora limpa, mas se você lava o carro com mangueira muito provavelmente parte dessa água vai para algum bueiro, esgoto ou algo do gênero antes de evaporar e, consequentemente, vai parar nos nossos lindos rios poluídos e encanados.

Realmente, a culpa (não direi toda, mas quase toda) é das grandes indústrias. E a melhor solução é comprar menos (ser pobre é ser ecologicamente correto -n), mas trocar o carro por um bicicleta ou pelo transporte coletivo sempre que possível também ajuda bastante.

Ah, e ri muito com os comentários e os desenhos. ^^

Hm, lembrei de um link relacionado ao tema, vou ser acho e te passo.

Herica Black disse...

http://1.bp.blogspot.com/-ClcSEIdEgEA/TVwU1C-iWKI/AAAAAAAADCk/HtzbwbznWM8/s1600/Consumo-de-Agua---Um-abraco---Drauzio-Milagres---O-Mundo-no-Seu-Dia-a-Dia.jpg

Aqui. O que nos faz pensar que os veganos estão certos sob o ponto de vista ambiental.

Érica Prado disse...

Sim, Hericatz, o problema é que o comércio de carros favorece às grandes coorporativas, o que impede que uma providência mais pesada seja tomada em relação a isso. E, bom, não é realmente impossível, mas não é tomando banho que você vai acabar com ela. Sem contar na alteração da densidade, que pode fazer ela evaporar com mais dificuldade e ter menos chuvas.

E amei o link, vou acrescentar à postagem.

Paulo Rocha disse...

Este mercado de compras sucessivas se chama obsolescência programada!